O Vaticano confirmou que o Papa Leão XIV enviará um representante oficial ao Brasil para uma missão considerada histórica pela Igreja Católica. Trata-se da celebração de beatificação do padre italiano Nazareno Lanciotti, assassinado em 2001 no interior de Mato Grosso. A cerimônia está marcada para 13 de junho, na cidade de Jauru.
A celebração será presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, que atuará como enviado direto do pontífice. A presença de um representante do papa reforça o peso simbólico do evento, que marca o reconhecimento oficial do martírio de um missionário.
Quem foi o padre Nazareno Lanciotti
Nascido em Roma, em 1940, Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil no início dos anos 1970, integrando a Operação Mato Grosso, iniciativa missionária voltada ao atendimento de comunidades pobres.
Em Jauru, fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar e ampliou sua atuação para além da esfera religiosa, criando escolas, comunidades rurais, um hospital e projetos sociais voltados a crianças, idosos e famílias em situação de vulnerabilidade.
O padre também ficou conhecido por denunciar crimes como exploração sexual, tráfico de drogas e disputas violentas por terras na região oeste do estado. Segundo a Igreja, essas ações o tornaram alvo de ameaças constantes. Em fevereiro de 2001, ele foi baleado dentro de casa por homens armados e morreu dias depois, aos 61 anos.
Após anos de investigação, o Vaticano reconheceu que sua morte ocorreu “por ódio à fé”, critério que dispensa a exigência de milagre para a beatificação. Com isso, Lanciotti passa a ser oficialmente venerado como beato em âmbito local, tornando-se um dos raros casos de reconhecimento de martírio ocorrido em solo brasileiro.
A cerimônia será transmitida ao vivo e integra uma série de ações do Vaticano voltadas ao reconhecimento de líderes religiosos que atuaram em contextos de vulnerabilidade social.





