O Paraguai tem se consolidado como um destino estratégico para empresários brasileiros que buscam reduzir a carga tributária e os custos operacionais. Enquanto no Brasil o sistema tributário é marcado por impostos múltiplos e sobrepostos, como ICMS, ISS, IPI e PIS-Cofins, o país vizinho oferece um cenário de baixa intervenção estatal e incentivos fiscais agressivos para atrair investimentos estrangeiros.
Esse ambiente mais simplificado tem atraído principalmente pequenos e médios empresários que desejam aumentar a margem de lucro e reduzir a burocracia.
Energia barata é um dos principais atrativos
Um dos fatores mais decisivos para a migração empresarial é o custo da eletricidade. O Paraguai produz mais energia do que consome, sustentado por três grandes hidrelétricas, sendo Itaipu a principal delas.
Com excedente energético para exportação, o preço da energia elétrica para empresas pode ser entre 40% e 60% mais barato do que no Brasil. Essa diferença impacta diretamente setores industriais e comerciais que dependem fortemente de energia para operar.
Sistema de IVA simplifica a tributação
O modelo de tributação paraguaio também é visto como mais eficiente. O país adota o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), com alíquota fixa de 10%, cobrado apenas sobre a margem de lucro.
Segundo empresários que atuam na região de Ciudad del Este, esse formato facilita a contabilidade e reduz o peso tributário, já que o imposto não incide sobre o faturamento bruto, como ocorre no Brasil.
Essa estrutura torna os preços mais competitivos para o consumidor final.
Diferença de preços chama atenção
A redução de custos reflete diretamente nos valores praticados no comércio. Um levantamento comparativo aponta que:
- Cerveja (1,5 litro) no Paraguai: cerca de R$ 12
- Produto similar no Brasil: aproximadamente R$ 25
Essa disparidade ajuda a explicar o crescimento do turismo de compras e a instalação de empresas brasileiras no país vizinho.
Ambiente de negócios menos punitivo
Outro ponto destacado por empreendedores é a postura dos órgãos públicos paraguaios. Em muitos casos, o governo e as prefeituras atuam de forma mais consultiva, orientando empresários antes de aplicar penalidades.
No Brasil, por outro lado, a percepção comum é de que o empreendedor enfrenta fiscalizações rígidas e punições imediatas, o que acaba aumentando a insegurança jurídica e os custos operacionais.
Migração de empresas preocupa a indústria brasileira
A saída de empresas do Brasil gera impactos econômicos relevantes, principalmente na geração de empregos e arrecadação de impostos. Dados da Sala Digital Google, em parceria com a Band, mostram o crescimento do interesse pelo Paraguai entre 2024 e 2025:
- Buscas por “residência fiscal no Paraguai” cresceram 465%;
- Pesquisas sobre “abrir empresa no país” aumentaram 220%;
- Houve alta expressiva no interesse por moradia, investimentos e trabalho no país vizinho.
Especialistas apontam caminhos para o Brasil
Analistas afirmam que, além da reforma tributária, prevista para começar a ser implementada em 2026, o Brasil precisa investir em produtividade, inovação e capacitação profissional para manter sua competitividade.





