Para quem convive com a diabetes, o consumo de doces costuma ser cercado de restrições e cuidados.
Mas e se o risco da doença não dependesse apenas da alimentação? Pesquisas recentes indicam que o local onde a pessoa vive — especialmente regiões de grande altitude — pode influenciar a forma como o corpo lida com o açúcar no sangue, ajudando a explicar por que moradores dessas áreas apresentam taxas menores de diabetes.
Morar em grandes altitudes reduz o risco de diabetes, aponta estudo
Pesquisadores identificaram que pessoas que vivem em regiões de grande altitude, onde o nível de oxigênio é naturalmente mais baixo, apresentam taxas menores de diabetes. O dado chamou a atenção da comunidade científica e foi detalhado em um estudo publicado na revista Cell Metabolism, conduzido por cientistas do Gladstone Institutes.
O estudo mostrou que, em ambientes com pouco oxigênio — condição conhecida como hipóxia — o organismo passa a utilizar a glicose de forma diferente. Nesse cenário, os glóbulos vermelhos, também chamados de hemácias, assumem um papel inesperado: eles passam a absorver mais açúcar diretamente da corrente sanguínea. Com isso, os níveis de glicose no sangue tendem a cair, reduzindo o risco de hiperglicemia.
Esse mecanismo não depende da insulina, hormônio tradicionalmente ligado ao controle do açúcar no sangue. Em vez disso, trata-se de uma adaptação biológica ao ambiente. Em grandes altitudes, o corpo produz mais hemácias e essas células “nascem” preparadas para captar mais glicose, ajudando também a otimizar o transporte de oxigênio para os tecidos.
Os pesquisadores ressaltam que isso não significa que moradores de regiões montanhosas estejam totalmente imunes à diabetes ou possam ignorar hábitos saudáveis.
Alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico continuam sendo fundamentais. Ainda assim, os achados ajudam a explicar por que populações que vivem em locais elevados apresentam menor incidência da doença.





