A nova primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, de 64 anos, afirmou dormir apenas quatro horas por noite e disse esperar o mesmo nível de dedicação não só de seus ministros, mas de toda a população.
Pouco depois de assumir o cargo, em outubro, Takaichi convocou uma reunião para as 3h da madrugada, antes de outro encontro às 9h, e resumiu seu estilo com a frase “vou trabalhar, trabalhar, trabalhar e trabalhar”. A fala foi interpretada por aliados como sinal de foco absoluto na retomada econômica, mas por críticos como um recado direto de que o ritmo imposto ao governo tende a se espalhar para toda a sociedade.
Pressão por longas jornadas e reação da sociedade
A principal polêmica envolve o pedido feito por ela ao Ministério do Trabalho para estudar a flexibilização do limite anual de horas extras, hoje fixado em 720. O governo sustenta que a medida poderia impulsionar a produtividade, enquanto opositores veem risco de normalizar jornadas extremas e transformar o exemplo pessoal da premiê em expectativa oficial para trabalhadores comuns.
Sindicatos reagiram. Tomoko Yoshino, presidente do Rengo, maior central sindical do país, afirmou que o teto atual já é elevado e que qualquer ampliação pode aumentar os casos de karoshi, termo que define mortes ligadas ao excesso de trabalho.
Grupos de advogados e o próprio Ministério da Saúde também se posicionaram. Para Teppei Kasai, da Human Rights Watch, a cultura corporativa japonesa prioriza presença em vez de produtividade.
Em 2024, o governo registrou 1.304 casos de mortes ou adoecimentos associados a jornadas abusivas, a maioria por transtornos mentais. O debate agora é se o discurso da líder vira política de Estado ou apenas provocação retórica para toda a nação japonesa atual hoje mesmo.





