As pessoas passam cerca de um terço da vida dormindo — e, nesse tempo, sonham. Mesmo assim, ao acordar, a maioria mal consegue lembrar do que acabou de viver enquanto dormia. Cenas inteiras parecem se apagar em minutos, como se nunca tivessem existido. Esse esquecimento é comum e tem explicação científica.
Segundo pesquisadores, a capacidade de recordar sonhos varia muito de pessoa para pessoa. Enquanto alguns acordam com histórias completas na cabeça, outros não guardam nem um fragmento. Um estudo publicado na revista Frontiers in Human Neuroscience investigou por que isso acontece e revelou que o cérebro dos chamados “sonhadores frequentes” funciona de maneira diferente durante o sono.
O que acontece no cérebro enquanto você sonha
Para a pesquisa, cientistas acompanharam dois grupos de voluntários: um que se lembrava dos sonhos com frequência e outro que raramente conseguia recordá-los. Durante a noite, todos dormiram em laboratório, com sensores no cérebro e estímulos sonoros sendo emitidos por fones de ouvido.
Os resultados mostraram que quem se lembra mais dos sonhos tende a despertar por mais tempo ao longo da noite, mesmo sem perceber. Esses microdespertares facilitam o registro das imagens na memória. Além disso, esses cérebros são mais sensíveis a estímulos externos, o que ajuda a “gravar” o conteúdo do sonho.
Outro fator importante está nos neurotransmissores. Durante o sono REM, fase em que os sonhos são mais intensos, os níveis de substâncias ligadas à memória, como serotonina e noradrenalina, caem bastante. Isso dificulta que as experiências sejam armazenadas a longo prazo.
Também há menor atividade no córtex pré-frontal, região responsável por organizar informações e formar lembranças duradouras. Sem esse suporte, os sonhos se tornam frágeis e fáceis de apagar.
Especialistas afirmam que refletir sobre o sonho ao acordar aumenta as chances de lembrança. Um diário pode ajudar nesses casos.





