Inaugurado com a promessa de mudar a forma de morar e observar a cidade, um edifício de 11 andares em Curitiba se tornou símbolo de uma ambição que não se concretizou. Capaz de permitir que o morador escolhesse a vista com um simples comando, o prédio hoje permanece vazio, fechado e distante do futuro imaginado quando chamou a atenção do mundo.
Localizado no bairro Mossunguê, na região do Ecoville, o Suite Vollard foi apresentado em 2004 como o primeiro prédio giratório do planeta. Cada andar abriga um único apartamento e pode girar 360 graus de forma independente, inclusive em sentidos opostos. A proposta era oferecer uma experiência inédita, unindo arquitetura, tecnologia e exclusividade no mercado padrão.
Um ícone da engenharia que nunca foi habitado
Idealizado ainda nos anos 1990, o projeto levou cerca de dez anos entre concepção e entrega. O sistema de rotação funciona sobre trilhos e engrenagens, acionado por um motor de baixa potência. Apesar de o mecanismo ter operado corretamente, nenhum dos 11 apartamentos chegou a ser ocupado desde a inauguração.
Com o tempo, o empreendimento enfrentou dificuldades financeiras, disputas judiciais e sucessivos leilões sem compradores. As unidades, que custavam cerca de R$ 835 mil no lançamento, voltaram ao mercado em diferentes tentativas, inclusive com descontos, mas sem sucesso. O prédio acabou penhorado para quitar dívidas da construtora.
O arquiteto responsável pelo projeto resumiu o impasse ao afirmar que se tratava de um “prédio redondo em uma cidade quadrada”, em declaração ao g1. A frase virou síntese de um contraste entre inovação e conservadorismo do mercado local.
Duas décadas depois, o Suite Vollard segue fechado, sem autorização para uso habitacional e sinais de deterioração. Ainda assim, permanece como um marco curioso da arquitetura brasileira, lembrado mais pela ideia ousada do que pela vida que nunca teve.





