A Itália enfrentou nesta terça-feira (13) a primeira grande greve nacional de 2026, com paralisação de taxistas em praticamente todo o território, do norte ao sul da península. A mobilização atinge todas as regiões, com exceção da Úmbria, e deve causou fortes impactos na rotina de moradores e turistas ao longo do dia.
A greve ocorreu das 8h às 22h (horário local) e reúne profissionais ligados a cerca de 20 sindicatos, marcando um novo capítulo no embate entre a categoria, o governo italiano e a expansão de plataformas digitais de transporte, como a Uber.
Protestos tomam Roma e aeroportos
Na capital italiana, taxistas vindos de diversas cidades se concentram desde as primeiras horas da manhã no Aeroporto de Fiumicino. De lá, seguiram em marcha até a Piazza Bocca della Verità, com destino final ao Montecitorio, sede da Câmara dos Deputados, onde estava prevista “marcha estática” a partir das 11h.
A expectativa é de impacto significativo no deslocamento urbano, principalmente em áreas turísticas e pontos estratégicos da cidade.
Categoria protesta contra governo e aplicativos
As entidades que aderiram à paralisação reivindicam regras mais rígidas para plataformas digitais, limites ao que chamam de “poder excessivo dos algoritmos” e a conclusão dos decretos que regulamentam a lei contra o transporte ilegal. Os sindicatos também defendem o táxi como serviço público essencial, sujeito a controle e fiscalização do Estado.
A Uiltrasporti afirma que o setor aguarda desde 2019 uma regulamentação prometida. “O silêncio das instituições diante da entrada agressiva de multinacionais não é mais tolerável”, declarou o sindicato, alertando que qualidade e segurança “não podem ser entregues a aplicativos sem supervisão pública”.
Críticas diretas ao governo Meloni
A Confederação-Geral Italiana do Trabalho (CGIL) também participa da greve e faz críticas diretas ao governo da premiê Giorgia Meloni. Para Nicola Di Giacobbe, coordenador nacional da Unica Taxi CGIL, a paralisação ocorre “contra um governo que não cumpriu suas promessas”.
“É uma luta para defender o serviço público e o futuro de taxistas que pagaram caro por licenças emitidas pelas prefeituras e seguem regras rígidas de turnos e horários”, afirmou. Segundo ele, permitir que algoritmos determinem o funcionamento do transporte urbano representa um risco ao interesse público.
Salvini reconhece impasse e convoca reunião
Durante um evento no Senado, o vice-primeiro-ministro e ministro da Infraestrutura, Matteo Salvini, comentou a paralisação e anunciou uma reunião com representantes da categoria.
“Convoquei todas as associações de taxistas para amanhã no Ministério. É um tema extremamente complexo. Precisa haver diálogo e consenso”, afirmou. Salvini reconheceu que as negociações com o setor estão entre as mais difíceis enfrentadas pelo governo nos últimos anos.
Nem todos os taxistas aderiram
Apesar da mobilização em larga escala, nem todas as entidades do setor participam da greve. O Sindicato Italiano de Radiotáxis (Uri) e o consórcio itTaxi decidiram manter suas atividades e manifestaram apoio ao governo.
O presidente da Uri, Loreno Bittarelli, criticou os organizadores do protesto. “Quem promove essa greve deveria protestar contra si mesmo”, disse, lembrando que algumas entidades apoiaram mudanças na legislação em 2019 que, segundo ele, criaram um vazio regulatório com consequências negativas.
Semana de caos no transporte italiano
A paralisação dos taxistas abre uma semana particularmente difícil para o transporte na Itália. Nesta terça-feira, além dos táxis, funcionários da Busitalia Sita Nord, na Úmbria, também cruzam os braços por 24 horas.
Nos próximos dias, estão previstas greves no transporte de mercadorias, ônibus urbanos, metrôs, ferrovias e até no setor aéreo. A última grande paralisação do mês está marcada para 31 de janeiro, com greve de controladores de tráfego aéreo no aeroporto de Verona, afetando voos em várias regiões.Com o acúmulo de protestos, autoridades alertam para atrasos, cancelamentos e transtornos generalizados, reforçando que esta já é considerada a semana mais crítica para a mobilidade no país desde o início de 2026.





