Muito antes dos carros elétricos dominarem o noticiário e as montadoras globais investirem bilhões em sustentabilidade, o Brasil já havia dado seu primeiro passo nesse caminho — em 1974, com o Gurgel Itaipú E150, o primeiro carro elétrico produzido na América Latina.
O modelo foi apresentado pela fabricante Gurgel Motores, uma empresa 100% nacional que ousou sonhar alto num período em que o mundo ainda tentava entender o futuro da energia.
O pioneiro esquecido: o elétrico brasileiro que nasceu antes de seu tempo
A ideia nasceu em meio à crise do petróleo de 1973, quando a alta nos preços do combustível incentivou governos e engenheiros a buscarem alternativas. Enquanto o Brasil apostava no etanol por meio do programa Proálcool, o engenheiro João Gurgel seguiu outro rumo: criar um veículo movido a eletricidade.
O Itaipú E150, batizado em homenagem à hidrelétrica em construção na fronteira com o Paraguai, era um minicarro de dois lugares, feito de fibra de vidro, com autonomia de 60 km e velocidade máxima de 60 km/h.
O protótipo chamou atenção pela inovação, mas encontrou limites tecnológicos intransponíveis para a época — baterias pesadas, caras e de pouca durabilidade. Ainda assim, serviu de base para o Itaipú E400, lançado em 1981, que chegou a ser utilizado por estatais de energia e telefonia.
Apesar do pioneirismo, o projeto não avançou. O alto custo de produção e a falta de incentivo público frearam o sonho de um carro elétrico nacional. Mesmo assim, a Gurgel seguiu relevante por décadas, produzindo veículos como o Xavante X12 e o BR-800, até encerrar suas atividades nos anos 1990.
Hoje, o Itaipú E150 é lembrado como um símbolo de inovação e coragem industrial, um lembrete de que o Brasil já pensava em mobilidade sustentável muito antes do resto do mundo — só não estava preparado para ela.





