A rotina profissional de Amalie Lundstad está longe do que a maioria das pessoas considera “normal”. Aos 30 anos, a norueguesa trabalha em uma plataforma de petróleo no Mar do Norte e construiu uma carreira marcada por alta remuneração, longos períodos de folga e deslocamentos aéreos frequentes até o local de trabalho.
Formada em química industrial, Amalie integra a equipe técnica responsável por monitorar sistemas e garantir a segurança dos processos produtivos. Seu salário anual pode chegar a cerca de 1,3 milhão de coroas norueguesas, o equivalente a aproximadamente R$ 720 mil, com ganhos mensais que podem atingir R$ 60 mil.
Escala diferenciada e viagens de helicóptero
O esquema de trabalho é baseado em ciclos duas semanas intensas de atividades seguidas por cerca de quatro semanas de folga. Para iniciar cada turno, Amalie sai de Oslo, viaja até Bergen e, após passar por protocolos de saúde e segurança, segue de helicóptero até a plataforma.
Sobre a rotina, ela explica que os horários variam entre turnos diurnos e noturnos:
“Então fico ou duas semanas no turno do dia ou duas semanas no turno da noite, e os turnos alternam a cada vez. Nenhum dia é igual ao outro. Começo todos os dias às 6h15, quando trabalho de manhã, ou 18h15, quando é à noite.”
Convivência e lazer em alto-mar
Mesmo em um ambiente operacional rígido, há espaços destinados ao descanso e lazer. Segundo a profissional, a plataforma conta com academia, sala de TV, simulador de golfe, sala de jogos e até áreas para pesca. Ainda assim, ela admite que o cansaço físico após os turnos costuma ser grande.
Em um ambiente majoritariamente masculino, Amalie avalia a convivência de forma positiva:
“É uma boa mistura de pessoas de diferentes países e idades, embora a maioria seja de homens. Eu gosto de trabalhar com homens porque costuma ser simples e sem complicações. Mas acho importante ter variação para um melhor ambiente de trabalho.”
Segurança em primeiro lugar
Trabalhar em alto-mar exige atenção constante aos riscos. Por isso, os protocolos são rigorosos. A norueguesa destaca:
“A segurança é nossa maior prioridade. Diferentemente de muitos outros empregos, ou do que se faz em casa, tudo o que fazemos aqui é estritamente controlado.”
Nem tudo são vantagens
Fora da plataforma, Amalie aproveita o tempo livre para viajar, desenvolver projetos pessoais e produzir conteúdo nas redes sociais, onde também orienta jovens interessados na área. Apesar disso, ela faz um alerta importante:
“Com certeza, mas acho importante escolher o emprego pela razão certa, não só porque parece bom nas redes sociais. O trabalho não é para todo mundo, porque você fica longe da família em feriados, aniversários e outras ocasiões importantes.”
Com altos salários e longos períodos de descanso, o trabalho em plataformas de petróleo chama atenção e vira o “emprego dos sonhos” para muitos. Ainda assim, exige preparo técnico, resiliência emocional e disposição para lidar com longos períodos longe de casa.





