Enquanto o salário mínimo nacional segue em discussão no Congresso e deve ficar em torno de R$ 1.621 em 2026, um estado brasileiro decidiu ir muito além. O Paraná acaba de confirmar o maior piso regional do país, com valores que superam o mínimo federal em até 49%. A medida chama atenção não apenas pelo impacto direto no bolso de milhares de trabalhadores, mas também pelo contexto político em que surge.
O reajuste foi pactuado pelo Conselho Estadual do Trabalho, Emprego e Renda (Ceter), que reúne representantes do governo, empresários e sindicatos. Agora, os novos valores seguem para a assinatura do decreto estadual, que oficializa as mudanças ainda neste início de ano.
Paraná lidera ranking com quatro faixas acima do piso nacional
Diferentemente do salário mínimo nacional, que é único, o piso regional do Paraná é dividido em quatro faixas, conforme o setor de atuação. A menor delas já começa em R$ 2.105,34 — cerca de 30% acima do mínimo federal.
No topo da tabela, algumas categorias poderão receber até R$ 2.407,90, valor que representa uma diferença de quase metade em relação ao piso nacional.
Esses salários valem para trabalhadores que não possuem piso definido em lei federal, convenção coletiva ou acordo sindical. Na prática, o piso regional funciona como uma rede de proteção para setores menos organizados, evitando que os rendimentos fiquem abaixo de um patamar considerado básico para a sobrevivência.
O anúncio ocorre no momento em que o governador Ratinho Jr. (PSD) passa a ser visto como possível pré-candidato à Presidência da República.
Embora o governo estadual não associe oficialmente o reajuste a esse cenário, o movimento ganha peso político por acontecer justamente no oitavo ano de seu mandato.





