Se você carrega uma garrafa de água para todo lado achando que está fazendo um hábito saudável, talvez seja hora de rever a forma como ela é higienizada. O biomédico Roberto Martins Figueiredo, o Dr. Bactéria, em entrevista à coluna Claudia Meireles, ensina que, sem a limpeza correta, a garrafa pode se transformar em um reservatório de micro-organismos invisíveis.
O problema começa na rotina. Ao beber diretamente no bocal, resíduos de saliva ficam presos nas paredes internas. Somam-se a isso a umidade constante, o calor e o tempo prolongado sem lavagem. O resultado é o ambiente perfeito para bactérias, fungos e a formação de biofilme, uma camada microscópica difícil de remover apenas com enxágue.
Como lavar a garrafa do jeito certo
A limpeza precisa ser diária e completa. O primeiro passo é lavar com água corrente e detergente neutro, sem exceções. Em seguida, use uma escova própria para alcançar o fundo e as laterais. Gargalo, tampa, rosca e bico merecem atenção especial, já que acumulam mais sujeira do que parecem.
Depois de esfregar bem, o enxágue deve ser abundante, eliminando qualquer resíduo de sabão. A etapa final é crucial: a garrafa precisa secar completamente antes de ser fechada. Guardar o recipiente ainda úmido favorece a multiplicação de bactérias.
Além da limpeza diária, uma higienização mais profunda ajuda a reduzir riscos. Uma vez por mês, recomenda-se encher a garrafa com água, adicionar uma colher de café de bicarbonato de sódio e deixar agir durante a noite antes de enxaguar.
Pesquisas laboratoriais reforçam o alerta. Testes identificaram milhões de unidades formadoras de colônias em garrafas reutilizáveis, especialmente nos modelos com bico ou tampa de pressão. Em alguns casos, a quantidade de bactérias superou a encontrada em superfícies consideradas altamente contaminadas.
Ignorar esses cuidados transforma a água aparentemente limpa em risco silencioso.





