O Senado aprovou, nesta quarta-feira (10), uma proposta que deve alterar significativamente o comércio exterior do país e gerar impacto direto em parceiros.
A medida, analisada sob forte pressão comercial dos Estados Unidos, prevê aumentos de até 35% nas tarifas de importação para uma ampla lista de produtos. O texto passou com 76 votos favoráveis e cinco contrários, em uma sessão marcada por debates intensos que avançaram até a noite. A mudança em questão foi aprovada no México e impacta diretamente o Brasil.
O que muda com a nova política tarifária mexicana
A reforma, já aprovada pela Câmara dos Deputados, deve ser publicada pela presidente Claudia Sheinbaum nas próximas semanas, entrando em vigor em 1º de janeiro de 2026.
Ao todo, 1.463 categorias de importação serão afetadas, incluindo setores estratégicos como automotivo, têxtil, eletrodomésticos, plásticos e calçados. Embora a versão inicial propusesse tarifas de até 50%, a maioria foi ajustada para a faixa de 20% a 35%, mantendo alíquotas maiores apenas em casos específicos.
O governo defende que a medida busca proteger a indústria mexicana e reduzir a dependência de insumos estrangeiros. Segundo legisladores do Morena, partido governista, a reforma faz parte do chamado Plano México, criado por Sheinbaum para fortalecer o mercado interno.
A oposição, porém, sustenta que o projeto foi conduzido de forma apressada e sem estudos suficientes sobre o impacto inflacionário.
Dos 35 senadores que se abstiveram, muitos alegaram pressão direta da Casa Branca, que acusa o México de servir como rota para produtos chineses entrarem nos Estados Unidos com tarifas reduzidas. O clima é tenso também no cenário internacional: a China criticou publicamente a decisão e sinalizou que poderá aplicar retaliações.
Economistas e representantes da indústria alertam que, embora a medida busque proteção interna, o aumento tarifário pode encarecer produtos essenciais, pressionar a inflação e exigir tempo para que o país desenvolva cadeias produtivas próprias.





