Um “tesouro” avaliado em até R$ 23,6 trilhões pode colocar o Brasil no centro de uma disputa global envolvendo tecnologia, energia e até interesses militares. A estimativa considera o potencial econômico das chamadas terras raras — um conjunto de minerais estratégicos que despertaram atenção internacional, inclusive do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Apesar do nome, terras raras não são exatamente raras. Elas são um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, mas difíceis de extrair e separar. O grande valor está no uso: esses minerais são essenciais para tecnologias modernas, como celulares, carros elétricos, turbinas eólicas, chips e até equipamentos militares.
O que são terras raras e por que elas valem tanto
Para se ter uma ideia, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil gira em torno de R$ 12,7 trilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Já o potencial das terras raras pode chegar a quase o dobro disso, o que explica o interesse crescente de grandes potências.
Atualmente, a China domina a produção e o processamento desses minerais no mundo. Por isso, países como os Estados Unidos buscam alternativas para reduzir essa dependência — e o Brasil aparece como peça-chave, já que pode concentrar entre 20% e 23% das reservas globais.
Esse cenário abriu uma corrida bilionária por parcerias e investimentos. Empresas e autoridades americanas têm ampliado negociações com o Brasil para garantir acesso a esses recursos, considerados estratégicos para o futuro da economia e da segurança nacional.
Mas nem tudo é vantagem. A extração das terras raras é complexa e pode gerar impactos ambientais significativos, como contaminação de água e solo. Além disso, especialistas alertam que o país precisa ir além da exportação de matéria-prima e investir no processamento interno — etapa que agrega mais valor.





