Na quarta-feira (27), a comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1 no Brasil. Horas depois, a aprovação foi concluída, em dois turnos, pelo plenário da Câmara dos Deputados, com 461 votos a favor e 19 contra. A decisão tem gerado a comemoração de trabalhadores no país, que agora devem aguardar o debate que irá acontecer no Senado para o texto ser enviado à sanção presidencial.
Entenda o que está em jogo
Hoje, a legislação brasileira permite jornadas de até 44 horas semanais, realidade comum em setores como comércio, serviços, supermercados, bares, restaurantes e parte da indústria.
O modelo 6×1, caracterizado por seis dias consecutivos de trabalho e apenas um de folga, tornou-se alvo frequente de críticas por questões relacionadas à saúde mental, produtividade e qualidade de vida. A proposta aprovada busca justamente alterar esse equilíbrio entre tempo dedicado ao trabalho e descanso.
O que muda com a proposta aprovada
O texto aprovado prevê uma transição gradual. Em um primeiro momento, a jornada semanal cairia de 44 para 42 horas, acompanhada pela adoção da escala de cinco dias trabalhados e dois dias de descanso. Em uma segunda etapa, prevista para ocorrer cerca de um ano depois, o limite semanal passaria para 40 horas. O objetivo desse modelo escalonado é reduzir impactos operacionais e permitir adaptação gradual das empresas.
Na prática, isso significa uma mudança estrutural no funcionamento do mercado de trabalho brasileiro. Hoje, muitas empresas organizam equipes em torno da disponibilidade contínua do trabalhador. Com jornadas menores e mais dias de folga, o desafio passa a ser reorganizar escalas, redistribuir equipes e rever custos operacionais.
O que ainda falta para o fim da escala 6×1 virar realidade
O texto segue para análise do Senado, onde poderá sofrer ajustes antes da eventual promulgação. Ou seja, o avanço atual representa uma etapa importante, mas ainda não o ponto final da discussão.
Além da tramitação política, o debate econômico continua aberto. Enquanto defensores argumentam que a medida melhora qualidade de vida e moderniza relações trabalhistas, críticos levantam preocupações sobre custos adicionais, produtividade e impacto sobre pequenos negócios. Isso transforma a PEC em uma das discussões econômicas e sociais mais relevantes do país em 2026.





