O consumidor brasileiro deve sentir no bolso, já nas próximas semanas, o impacto de uma combinação de fatores internacionais e logísticos. Ovos, carne de frango e carne suína — itens básicos na alimentação — estão entre os alimentos que devem registrar aumento de preço em abril, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal.
De acordo com a entidade, o principal motivo está ligado aos efeitos da guerra no Oriente Médio, que vêm pressionando custos em toda a cadeia produtiva. O encarecimento do diesel, o aumento nos fretes e até o preço das embalagens estão entre os fatores que ajudam a explicar a tendência de alta.
O que está por trás da alta nos preços de alimentos
Na prática, o transporte de insumos e produtos ficou mais caro. A ABPA aponta que os fretes rodoviários subiram entre 10% e 20%, dependendo da região. Isso afeta desde o envio de ração — como milho e soja — até a distribuição final dos alimentos nos mercados.
Outro ponto de impacto está nas embalagens. Muitos dos insumos utilizados na produção de plástico são importados e sofreram alta, com reajustes que já chegam a 30%. Além disso, o cenário internacional trouxe custos extras, como as chamadas “taxas de guerra” no transporte marítimo e o aumento no tempo de entrega de cargas.
Mesmo com uma oferta considerada equilibrada, especialmente no caso dos ovos, a demanda segue aquecida. Isso ocorre porque muitos consumidores têm buscado proteínas mais acessíveis, o que aumenta a procura justamente por esses produtos.
Diante desse cenário, a tendência é que os custos sejam repassados ao consumidor final. Ou seja, mesmo sem falta de produtos, o preço sobe por causa do encarecimento da produção e da logística.
A entidade avalia que medidas de apoio ao setor podem ajudar a reduzir os impactos, mas, no curto prazo, a expectativa é de reajustes nas prateleiras.





