Por transmitirem uma imagem de confiança e independência, pessoas autossuficientes parecem não depender de elogios para se motivar. No entanto, diversos estudos indicam que, na realidade, esse comportamento pode funcionar como uma espécie de “armadura”.
Isso porque essas mesmas pessoas podem estar desesperadas por validação externa, mesmo não demonstrando diretamente. E conforme explicado por hipóteses como a Teoria do Apego, de John Bowlby e Mary Ainsworth, o problema surge ainda na infância.
Afinal, por não receberem reforços positivos e apoio emocional durante a infância, adultos que se enquadram nesse perfil aprendem a se tornar autossuficientes desde cedo e, com isso, desenvolvem barreiras emocionais que tendem a se tornar mais rígidas ao longo do tempo.
Por trás dessas barreiras, existe uma necessidade latente por atenção que se manifesta por meio de atitudes como o perfeccionismo extremo, devido ao pensamento de que apenas algo visto como “perfeito” será valorizado, ou a dificuldade em aceitar elogios, que gera desconforto.
Além disso, pessoas que apenas parecem autossuficientes também costumam se dedicar de forma excessiva a seu trabalho, já que, em sua mente, esse pode ser o principal ambiente para se conquistar reconhecimento e, com isso, preencher as lacunas deixadas pela infância.
Autossuficiência saudável: como superar a busca por validação
Apesar da complexidade do caso, especialistas ressaltam que é possível superar a autossuficiência extrema, sendo o primeiro passo o reconhecimento de sua existência e de suas causas. Com isso, vale apostar nas seguintes estratégias:
- Mudança de foco: para se tornar realmente autossuficiente, é fundamental deixar a validação externa de lado e passar a valorizar a autovalidação;
- Celebração de conquistas: independentemente de suas dimensões, todas as conquistas devem passar a ser celebradas;
- Métricas: métricas externas ou a opinião alheia devem deixar de nortear as atividades;
- Pedir ajuda: mesmo tendo a capacidade de cuidarem de si mesmas, pessoas autossuficientes não deixam de pedir ajuda quando sentem que precisam.





