Uma das marcas mais populares do Brasil e do mundo enfrenta um momento delicado.
A Heineken, gigante do setor de bebidas e presença constante em bares, supermercados e grandes eventos, anunciou um amplo plano de cortes que deve resultar na demissão de mais de 5 mil funcionários ao redor do planeta. A decisão expõe um cenário de desaceleração que contrasta com a imagem de solidez da empresa.
Crise global atinge até as marcas mais consolidadas
Segundo a companhia, até 6 mil postos de trabalho podem ser eliminados nos próximos dois anos, o que representa cerca de 7% de todo o quadro global da Heineken. O movimento faz parte de um programa de produtividade criado para reduzir custos diante da queda no consumo de cerveja e de um ambiente econômico mais incerto, especialmente nas Américas.
Os números ajudam a explicar a guinada. No terceiro trimestre de 2025, as vendas globais de cerveja da empresa caíram 4,3%. No Brasil, um de seus principais mercados, a retração foi ainda mais severa, superando dois dígitos, segundo a própria companhia. A receita também sentiu o impacto, com recuo de 1,4% no período.
Apesar disso, a Heineken afirma que o lucro operacional anual fechou acima das projeções iniciais e projeta crescimento entre 2% e 6% em 2026 — abaixo do esperado anteriormente. Ainda assim, a direção avalia que os cortes são necessários para “fortalecer as operações” e abrir espaço para novos investimentos.
O momento turbulento também provocou mudanças no comando. Após seis anos à frente da empresa, o CEO Dolf van den Brink anunciou sua saída, marcada para o fim de maio.
Mesmo com ações em alta nas bolsas internacionais, o anúncio das demissões acendeu um alerta: nem mesmo marcas bilionárias e amplamente consolidadas estão imunes a ajustes duros.





