A Argentina decidiu liberar oficialmente a venda de cigarros eletrônicos, vapes e produtos de nicotina após mais de uma década de proibição. A medida foi publicada pelo Ministério da Saúde argentino no Boletín Oficial e já provoca debate entre autoridades, médicos e especialistas em saúde pública.
Com a nova regulamentação, dispositivos eletrônicos para fumar poderão ser comercializados legalmente em tabacarias e estabelecimentos autorizados no país vizinho ao Brasil. Até então, a venda era proibida desde 2011, embora os produtos circulassem de forma irregular no mercado.
Decisão gera alerta entre médicos e especialistas
O governo argentino afirma que a mudança busca aumentar o controle sobre um consumo que já acontecia clandestinamente. A nova regra cria um sistema oficial de registro para fabricantes, importadores e produtos comercializados, além de exigir rastreabilidade, advertências sanitárias e fiscalização.
A resolução também proíbe os chamados vapes descartáveis — considerados os mais populares entre adolescentes — e estabelece restrições para aromatizantes, embalagens chamativas e propagandas consideradas atrativas para jovens.
Apesar do discurso de controle sanitário, a medida foi recebida com forte crítica por entidades médicas argentinas. Organizações de saúde classificaram a decisão como um “retrocesso” e alertaram para o aumento do consumo entre adolescentes.
Dados citados pelo próprio governo mostram que cigarros eletrônicos já aparecem entre as substâncias mais utilizadas por estudantes do ensino médio no país, com taxa de consumo de 35,5% em 2025.
Especialistas afirmam que, apesar de muitos usuários enxergarem os vapes como alternativa menos nociva ao cigarro tradicional, os dispositivos continuam causando dependência por nicotina e podem trazer riscos cardiovasculares e danos ao desenvolvimento cerebral em jovens.
No Brasil, a venda de cigarros eletrônicos segue proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Mesmo assim, os produtos continuam sendo facilmente encontrados no comércio informal e nas redes sociais.





