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Vírus com 70% de letalidade está contaminando e pode virar a nova pandemia mundial

Por Eduardo Sant’Anna
26/01/2026
Vírus com 70% de letalidade está contaminando e pode virar a nova pandemia mundial

Freepik/Reprodução

Um surto do vírus Nipah colocou a Índia em alerta máximo nas últimas semanas. Pelo menos cinco casos foram confirmados no estado de Bengala Ocidental, incluindo infecções em médicos e enfermeiros, o que levantou preocupações sobre transmissão em ambiente hospitalar. 

Quase 100 pessoas foram orientadas a cumprir quarentena, enquanto os pacientes seguem internados em hospitais de Calcutá, capital do estado. Um deles permanece em estado crítico, segundo a imprensa local.

As três infecções mais recentes envolveram profissionais de saúde que atuavam no mesmo hospital particular em Barasat, na região metropolitana da capital. Duas enfermeiras já haviam testado positivo no início de janeiro, reforçando a suspeita de contaminação dentro da unidade.

Especialistas internacionais acompanham o avanço do surto. A virologista Rebecca Dutch, referência mundial em vírus emergentes, afirmou que o Nipah está entre os patógenos com maior potencial pandêmico. “É extremamente provável que novos surtos ocorram no futuro. Vários aspectos do Nipah são muito preocupantes”, declarou em entrevista à imprensa internacional.

O que é o vírus Nipah e como ocorre a transmissão

Identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia, o vírus Nipah é um patógeno zoonótico, ou seja, transmitido entre animais e seres humanos. Ele pertence à família Paramyxoviridae e tem como principal reservatório natural morcegos do gênero Pteropus, conhecidos como morcegos-frugívoros.

A infecção pode ocorrer de diferentes formas:

  • contato direto com secreções de animais infectados, como saliva, sangue, urina ou fezes;
  • consumo de alimentos contaminados, especialmente frutas ou seiva de tamareira crua;
  • transmissão de pessoa para pessoa, principalmente em hospitais ou no convívio próximo com pacientes.

Desde sua descoberta, surtos esporádicos vêm sendo registrados principalmente no sul e sudeste da Ásia, com destaque para Bangladesh e Índia.

Sintomas, riscos e taxa de mortalidade

Os primeiros sintomas costumam surgir entre quatro e 14 dias após a infecção. Na fase inicial, o quadro pode se assemelhar a uma gripe comum, com febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas, vômitos e dor de garganta.

Em casos mais graves, o vírus pode provocar encefalite, uma inflamação no cérebro que causa confusão mental, convulsões, sonolência intensa e até coma. Também há risco de insuficiência respiratória, o que frequentemente exige internação em unidades de terapia intensiva.

A taxa de letalidade do Nipah varia conforme o surto, mas pode ultrapassar 70%, tornando-o um dos vírus mais perigosos já identificados em humanos.

Tratamento ainda não existe e OMS monitora o avanço

Atualmente, não há vacina nem tratamento específico aprovado contra o vírus Nipah. O atendimento médico é baseado em cuidados de suporte, como hidratação, controle dos sintomas e auxílio respiratório nos casos mais graves.

Pesquisas avaliam o uso de antivirais como ribavirina, favipiravir e aciclovir, além de terapias experimentais, mas ainda não há comprovação científica definitiva sobre a eficácia dessas opções.

Por causa do alto risco e do potencial pandêmico, o Nipah integra a lista de patógenos prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS), que busca acelerar o desenvolvimento de vacinas e tratamentos.

Como se prevenir do vírus Nipah

Enquanto não há imunização disponível, a prevenção é a principal arma contra a doença. Autoridades de saúde recomendam:

  • evitar contato com morcegos e porcos;
  • não consumir frutas ou bebidas que possam ter sido contaminadas;
  • cozinhar bem alimentos de origem animal;
  • manter higiene rigorosa das mãos;
  • usar equipamentos de proteção individual em ambientes hospitalares.

Com o avanço do surto na Índia, especialistas reforçam que a vigilância epidemiológica rápida e a identificação precoce de casos são fundamentais para conter a disseminação e evitar que o vírus se espalhe para outros países.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Eduardo Sant’Anna

Eduardo Sant’Anna

Jornalista apaixonado por esportes. Experiência em redação, produção de textos e elaboração de pautas.

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