O Reino Unido enfrenta uma das temporadas de gripe mais severas das últimas décadas, impulsionada pela variante H3N2 subclado K, que tem sido popularmente chamada de gripe K. A nova cepa do vírus influenza se tornou dominante na Inglaterra e na Escócia e antecipou em semanas o pico de infecções, que tradicionalmente ocorre após as festas de fim de ano.
Segundo a Agência de Segurança em Saúde (UKHSA), as internações por gripe aumentaram 56% desde novembro, em comparação com o mesmo período do ano passado. O avanço acelerado da doença reacendeu o debate sobre a necessidade de voltar a usar máscaras em espaços públicos.
Daniel Elkeles, líder da instituição NHS Providers, fez um alerta direto à população: “Precisamos retomar o hábito de usar máscara quando estivermos tossindo ou espirrando, inclusive no transporte público”, afirmou. Ele classificou a variante como “uma cepa muito agressiva” e reforçou que pessoas doentes devem evitar sair de casa sempre que possível.
A recomendação, porém, causou forte reação entre grupos conservadores britânicos, que voltaram a espalhar teorias da conspiração relacionando máscaras a tentativas de controle governamental. O gabinete do primeiro-ministro reconhece que o uso de máscara reduz transmissões, mas evitou transformar o alerta em orientação formal.
Hospitais em alerta
Relatório recente mostrou que 1.717 pessoas estão sendo internadas por dia na Inglaterra devido à gripe, o maior número já registrado para este período do ano. Desse total, 69 pacientes estão em terapia intensiva.
A antecipação da circulação da gripe K pega o Reino Unido em momento delicado, temperaturas atipicamente quentes, maior circulação de pessoas e baixa adesão a medidas preventivas.
Vacinação segue como principal defesa
Quase 17 milhões de doses da vacina contra a gripe já foram aplicadas neste inverno, número ligeiramente superior ao do ano passado. Autoridades também investigam o nível de proteção da fórmula atual contra o subclado K.
Mesmo assim, especialistas projetam semanas de atenção redobrada até as temperaturas voltarem a subir e a circulação viral diminuir.
O que é a gripe K e quais são os sintomas?
A gripe K deriva de mutações na variante A(H3N2), que alteram a estrutura reconhecida pelo sistema imunológico. Isso facilita a infecção e a transmissão, especialmente entre idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
Os sintomas mais comuns incluem:
- febre
- tosse
- dor no corpo
- dor de garganta
- dor de cabeça
- mal-estar geral
- sintomas digestivos, em alguns casos
Embora os sinais clínicos sejam semelhantes aos de outras gripes, o número elevado de contágios aumenta a chance de casos graves.




