Quem faz compras com frequência já deve ter tido a impressão o produto de sempre continua com o mesmo preço na prateleira, mas dura menos em casa. A explicação para esse fenômeno tem nome: shrinkflation, ou, em português, reduflação. A prática consiste em diminuir a quantidade do produto, mantendo ou até elevando o valor cobrado, o que faz o aumento passar despercebido por muitos consumidores.
Cada vez mais presente nos supermercados, a estratégia vem sendo adotada por fabricantes de alimentos, bebidas e itens de higiene e limpeza. Em vez de reajustar os preços de forma direta, as empresas optam por reduzir gramas, mililitros ou o número de unidades nas embalagens. Em geral, a informação até aparece no rótulo, mas em letras pequenas ou em locais pouco visíveis.
Segundo especialistas em defesa do consumidor, a reduflação é uma maneira encontrada pela indústria para compensar o aumento dos custos de produção, como matéria-prima, transporte e energia, sem causar o impacto imediato que um aumento explícito de preço costuma gerar.
Produtos que “encolheram” sem aviso evidente
Casos de shrinkflation já foram identificados em diversos itens populares do dia a dia. Entre os exemplos mais comuns estão:
- Chocolates que reduziram o peso de 100 g para 90 g ou até 80 g
- Biscoitos recheados com menos unidades por pacote
- Cereais matinais com caixas mais estreitas e menor peso total
- Sabonetes que passaram de 90 g para 85 g
- Detergentes líquidos com menos volume na mesma embalagem
- Iogurtes e bebidas lácteas com redução silenciosa de mililitros
Embora a prática seja permitida no Brasil, o Código de Defesa do Consumidor determina que qualquer alteração na quantidade deve ser informada de forma clara, ostensiva e de fácil compreensão. Na realidade, porém, muitos consumidores só percebem a mudança depois da compra, quando o produto acaba mais rápido do que o habitual.
Impacto no bolso
O efeito da reduflação não é imediato, mas se acumula ao longo do tempo. Ao pagar o mesmo valor por uma quantidade menor, o consumidor acaba desembolsando mais por quilo ou litro, o que encarece a compra mensal sem que isso fique evidente na etiqueta de preço.
Órgãos de defesa do consumidor alertam que a melhor forma de se proteger é comparar o preço por unidade de medida (quilo, litro ou unidade), informação que costuma aparecer nas prateleiras. Também vale observar mudanças sutis no formato da embalagem e desconfiar quando o produto parece “render menos” do que antes.
Em tempos de inflação e orçamento apertado, atenção aos detalhes pode fazer diferença significativa no fim do mês.





