O que parece apenas mais um lançamento de foguete pode, na verdade, marcar uma virada histórica para a ciência brasileira.
Em meio a adiamentos, ajustes técnicos e muita expectativa, um detalhe chama atenção: o primeiro foguete a realizar uma operação comercial a partir do Brasil levará ao espaço algo que poucos imaginam — tecnologia desenvolvida inteiramente em solo catarinense.
O que o primeiro foguete comercial lançado do Brasil vai transportar
O lançamento do foguete Hanbit-Nano, da sul-coreana Innospace, foi remarcado para esta sexta-feira (19), às 15h45, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
A missão é considerada inédita por ser a primeira operação comercial de lançamento orbital realizada a partir de uma base brasileira. O adiamento ocorreu após a identificação de uma anomalia no sistema de resfriamento do primeiro estágio, segundo a Força Aérea Brasileira (FAB).
Apesar do contratempo, os olhos do setor aeroespacial seguem atentos, especialmente em Santa Catarina. Isso porque a carga do foguete inclui dois nanossatélites desenvolvidos em Florianópolis: o FloripaSat-2A e o FloripaSat-2B. Os equipamentos foram criados pelo SpaceLab, laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e representam um salto tecnológico para o país.
Os satélites têm como principal objetivo validar, em órbita baixa, sistemas espaciais estratégicos desenvolvidos no Brasil. Entre eles estão o computador de bordo (OBDH), o sistema de gestão de energia (EPS) e soluções inéditas de telecomunicações (TT&C). Segundo a UFSC, será o primeiro teste em órbita dessa tecnologia de comunicação nacional, abrindo caminho para futuras constelações de satélites.
A missão terá duração aproximada de cinco semanas, em uma órbita média de 300 quilômetros de altitude.
Com 21,8 metros de comprimento e cerca de 20 toneladas, o Hanbit-Nano pode até ser estrangeiro, mas o que ele carrega simboliza um marco: o Brasil começando a ocupar, com tecnologia própria, seu espaço além da Terra.





