Folhapress
Ao menos 64 pessoas morreram nesta quarta-feira (28) na colisão entre dois trens de alta velocidade na província de Toledo, na Espanha, a cerca de 150 km de Madri. O balanço foi divulgado pelas autoridades locais à imprensa, e o número de mortos pode aumentar. Cerca de 80 pessoas ficaram feridas.
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O acidente ocorreu por volta das 8h54 locais (4h54 em Brasília) entre os municípios de Los Yébenes e Urda. Segundo os serviços de emergência, um trem da Renfe, operadora ferroviária estatal, colidiu com outro da empresa privada Iryo, nas proximidades da estação de Urda, que estava parado na via.
As imagens do acidente mostram os dois comboios, um vermelho e outro branco, parcialmente descarrilados, com vagões tombados. Dois deles caíram por um barranco. A circulação ferroviária entre Madri e a Andaluzia foi suspensa.
O trem da Renfe havia partido de Madri às 8h com destino a Sevilha. Segundo o governo local, 544 pessoas viajavam nas duas composições, 147 pessoas no trem da Iryo e 397 no da Renfe. As circuntâncias do acidente ainda estão sendo investigadas.
Esse é um dos piores acidentes da história ferroviária da Espanha desde os anos 1970, e ocorre apenas nove meses após outra colisão entre dois trens em Adamuz, na província de Córdoba, que matou 46 pessoas.
Uma passageira do trem da Iryo disse à rádio Cadena SER que sentiu um forte impacto que a arremessou para a frente, levando-a inicialmente a pensar que o trem havia feito uma parada de emergência. Ela só percebeu a gravidade do acidente depois de ver pessoas feridas e receber a orientação para deixar o trem.
Várias equipes de bombeiros e três helicópteros foram enviados ao local, segundo os serviços de emergência. O Ministério do Interior mobilizou integrantes da Unidade Militar de Emergências.
A ministra da Saúde, Mónica García, afirmou à TV pública que o acidente pode se revelar uma "grande tragédia". O presidente da região de Castela-Mancha, Emiliano García-Page, suspendeu a agenda para ir ao local e lamentou as mortes. Segundo ele, foram encontrados 24 corpos no trem da Renfe e 6 no da Iryo, mas o número deve crescer, já que as equipes ainda não chegaram ao fundo dos vagões.
Centros de atendimento a familiares foram abertos na estação de Atocha, em Madri, e em Sevilha. A presidente regional de Madri, Isabel Díaz Ayudo, pediu doaçoes de sangue em um post no X.
O premiê Pedro Sánchez cancelou a agenda desta quarta, e o Partido Socialista (PSOE), do qual é líder, suspendeu as atividades de campanha do dia. "Chocado com o grave acidente ferroviário em Toledo. Meu carinho, minha solidariedade e meu apoio a todas as vítimas e seus familiares", escreveu Sánchez no X.
Outros partidos também cancelaram seus compromissos. O país vai às urnas no próximo mês em eleições antecipadas, após uma onda de protestos contra a crise habitacional pressionar o governo do premiê.
O líder da sigla de ultradireita Vox, Santiago Abascal, descartou suspender os compromissos de campanha e criticou políticos que, em sua opinião, se transformam em "carpideiras" após tragédias. A fala foi dita em um evento em Valladolid, onde apoiadores xingaram Sánchez.
"Muitos vão querer usar a dor e o luto, como já fizeram, para tentar calar as denúncias e os protestos diante de uma deterioração da infraestrutura que já não podemos mais suportar", acrescentou Abascal.
Com 4.000 km de trilhos, a malha espanhola de alta velocidade é a segunda maior do mundo. O acidente, porém, ocorre menos de um mês da colisão ferroviária em Adamuz, na província espanhola de Córdoba.
Em janeiro, um trem da Iryo descarrilou e foi atingido por outro, da Renfe, que vinha em sentido contrário. O episódio matou 46 pessoas. A tragédia reacendeu o debate sobre a manutenção da rede e a segurança dos passageiros, e rendeu duras críticas ao governo Sánchez.
A Espanha gastou, em média, cerca de 1,5 bilhão por ano entre 2018 e 2022 em sua rede de alta velocidade. No entanto, a grande maioria foi destinada a novas infraestruturas, e apenas cerca de 16% foram reservados para manutenção, renovação e modernização.
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