Acordo com o Irã acabou, diz Trump após novos ataques

Publicado em 08/07/2026, às 08h23
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Igor Gielow/Folhapress

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que o acordo de cessar-fogo entre seu país e o Irã "acabou" com os ataques retaliatórios da teocracia contra alvos americanos em países do golfo Pérsico.

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A retomada das hostilidades no Oriente Médio levou tensão ao mercado, com um aumento de 5% no preço do petróleo referencial Brent, colaborando com a queda nas Bolsas da Ásia e da Europa.

"Até onde sei, é só uma perda de tempo lidar com eles [iranianos]. Eles são mentirosos, há algo errado com eles. Eles são loucos. Até onde sei, acabou [o acordo]", disse o americano ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, durante a cúpula da aliança militar ocidental em Ancara (Turquia).

Fiel a seu estilo, contudo, Trump disse também que ainda poderá negociar.
"Eu vou falar com nossos negociadores. Eles querem negociar, são boas pessoas, [os enviados americanos] Steve Witkoff, Jared Kushner, mas eles têm de falar comigo", completou.

A escalada da tensão ocorreu após uma nova rodada de violência entre os rivais, que haviam assinado uma trégua de 60 dias a partir de 17 de junho. O Irã atingiu nesta semana três petroleiros que cruzaram o estreito de Hormuz, violando a promessa de manter a navegação livre na estratégica região.

Na noite de terça (7) para quarta, os americanos responderam com o mais duro bombardeio desde a implementação do chamado memorando de entendimento com Teerã. O acordo pôs um fim temporário à guerra lançada pelos EUA e Israel contra a teocracia, que durou cinco semanas a partir do fim de fevereiro.

Foram alvejados 60 alvos em regiões costeiras associadas às atividades militares do Irã no estreito. Como resposta, a Guarda Revolucionária lançou mísseis e drones contra instalações americanas no Bahrein e no Irã.

Segundo a unidade de elite iraniana, foram alvejadas no Bahrein bases dos EUA em Bandar Salman e o Quinto Distrito Naval americano. No Kuwait, o foco foi a base Ali al Salem. Um drone MQ-9 Reaper americano foi derrubado, segundo os iranianos.

Os países do golfo Pérsico foram o alvo mais vistoso da campanha retaliatória iraniana durante a guerra, dado que as ações contra Israel foram compartilhadas por Teerã com seus aliados do Hezbollah libanês, o que levou a ataques pesados de Tel Aviv contra o vizinho árabe.

Agora, o governo de Binyamin Netanyahu ocupa uma faixa no sul libanês e, para formalizar essa presença, assinou um memorando com o governo de Beirute, que também quer ver o Hezbollah desarmado.

Em Ancara, a Otan foi solidária a Trump, apesar das repetidas críticas do americano à aliança. O holandês Rutte, sempre ávido para agradar o principal dos 32 integrantes da organização, disse que os ataques foram "absolutamente necessários".

"Ao ter um cessar-fogo e o Irã está basicamente violando o cessar-fogo, acho totalmente crucial que os EUA reajam com força", disse. Já a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, lamentou que os ataques de lado a lado dificultem a normalização da situação no Oriente Médio.

Do lado iraniano, a posição é de desafio. Segundo a chancelaria do país, o acordo com os EUA não está valendo. Ela se queixou não só dos ataques, mas da continuidade das ações de Israel no Líbano e da decisão americana de revogar a licença temporária para a venda de petróleo do Irã, parte do memorando.

"A responsabilidade pelas perigosas consequências desta escalada de tensões é do regime renegado americano", afirmou a pasta, em nota.

Os termos foram repetidos pelo principal negociador iraniano, o presidente do parlamento Mohammad Baghaer Ghalibaf. "A era de intimidação e extorsão acabou", disse em uma publicação no X em meio às cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, o líder supremo do país morto no primeiro dia da guerra. "Não vamos ceder."

Foram atingidas, segundo a mídia iraniana, as cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas, além da ilha de Qeshm, todas utilizadas pela Guarda no estreito. Mas também houve explosões relatadas em Kharg, ilha de onde saía antes da guerra quase todo o petróleo cru do Irã os EUA não confirmaram ação por lá. Não há informação sobre feridos.

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