Cristiane Gercina / Folhapress
A edição 2027 do CNU (Concurso Nacional Unificado) deve ter entre 2.000 e 3.000 vagas, conforme confirmou o MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos) à reportagem. A pasta afirma, no entanto, que a realização de um novo concurso aguarda aval do Congresso Nacional à Lei Orçamentária do ano que vem.
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"Como sempre informado, a realização de um novo CPNU em 2027 está condicionada à aprovação do PLOA e do espaço fiscal para novas vagas que será aprovado pelo Congresso Nacional. Considerando concursos já autorizados e novos que podem ser definidos (dependendo do PLOA), 2.000 a 3.000 novas vagas compensam a realização de um CPNU em 2027", diz nota.
O Ploa (Projeto de Lei Orçamentária Anual) enviado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no final de agosto reserva R$ 1,3 bilhão para novas contratações no Executivo federal e R$ 1,2 bilhão para concursos em instituições federais de ensino. Estão previstas 53.530 vagas, entre novos postos e contratações de servidores já aprovados em outras seleções.
A ministra Esther Dweck deu as informações sobre a quantidade de vagas ao jornal O Globo, e a pasta as confirmou à reportagem. O modelo tem despertado o interesse de estados e municípios, o que abre a possibilidade de utilizar a experiência acumulada pelo MGI e demais órgãos do governo Lula para realizar seleções em larga escala e trabalhar em parceria com órgãos estaduais e municipais.
A ministra também tratou deste ponto, mas a Maria Aparecida Chagas Ferreira, diretora de planejamento da força de trabalho do MGI, já havia informado à reportagem, em entrevista exclusiva, que o ministério iniciou conversas com o Consad (Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração) para apresentar o formato e oferecer referências técnicas e legislativas para a realização de concursos unificados nos estados.
Segundo ela, o objetivo é manter a Enap (Escola Nacional de Administração Pública) como executora do concurso, enquanto o MGI coordena, monitora e avalia a política.
"A recomposição da força de trabalho é uma necessidade permanente para garantir que os órgãos públicos tenham capacidade de implementar suas políticas. Por isso, a intenção do MGI é manter a autorização de concursos e processos seletivos", disse à reportagem.
Desde 2025, a preparação do CNPU tem sido feita pela Enap e não mais por empresas de concurso contratadas pelo governo. Em 2024, quando ocorreu a primeira edição, a realização ficou por conta da Cesgranrio.
O Enem dos Concursos, como ficou conhecido, teve a primeira edição em 2024 e a segunda, em 2025. Neste ano, por conta das eleições de 2026, não foi feito novo concurso. Em nota, o MGI já havia dito à Folha que, para confirmar a nova edição em 2027, "será necessário aguardar a aprovação da Lei Orçamentária".
A pasta afirmou que vai dar continuidade à contratação de servidores, já que há muitos se aposentando, e prevê a realização do certame a cada dois anos.
A primeira edição do CNU, realizada em 2024, estava prevista para maio, mas foi adiada para agosto após fortes chuvas que assolaram o Rio Grande do Sul naquele ano. Além da alteração no calendário, o concurso alterou outras regras e passou a permitir que candidatos pudessem levar uma folha de rascunho para casa. A realizadora forneceu o documento.
A edição contou com 2,1 milhões de candidatos que concorreram a 6.640 vagas em 21 órgãos públicos. Os exames foram aplicados em 228 cidades. A Abin desenvolveu o esquema de segurança (Agência Brasileira de Inteligência) em parceria com outros órgãos do governo federal.
O plano, que se manteve na edição de 2025, conta ainda com acompanhamento da Força Nacional, das polícias Federal, Rodoviária Federal e Militar, além de Casa Civil, Ministério da Justiça e MGI, para garantir a segurança dos exames e que não haja vazamento das provas.
Após a edição de 2025, que teve 761.528 inscritos concorrendo a 3.652 vagas -divididas em nove blocos temáticos- para trabalhar em 32 órgãos do governo federal, houve o desbaratamento de um esquema de quadrilha que tentou fraudar a seleção do ano anterior. A Polícia Federal e o MPF (Ministério Público Federal) acompanharam o caso.
As edições contam com coleta de biometria, exame grafológico e detector de metais nas escolas, entre outras medidas de segurança que devem se repetir em 2027. No ano passado, as provas tiveram duas fases, uma em 5 de outubro e outra em 7 de dezembro.
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