Crianças e adolescentes são 80% das vítimas de violência sexual atendidas por Rede de Atenção em AL

Publicado em 12/08/2020, às 22h09
Carla Cleto -

Assessoria Sesau AL

Criada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) em outubro de 2018, a Rede de Atenção às Vítimas de Violência Sexual (RAVVS) atendeu 332 alagoanos de janeiro a julho deste ano. Do total, 80,12% das pessoas agredidas estão na faixa etária de zero a 17 anos, o que representa 266 crianças e adolescentes, conforme balanço divulgado nesta quarta-feira (12).

Os dados se enquadram na previsão mundial realizada pela Organização Não Governamental (ONG) World Vision, que estimou, durante a pandemia da Covid-19, a ocorrência de até 85 milhões de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Isso porque, em razão do isolamento social, as famílias ficaram confinadas e os casos aumentaram, comprovando que, em sua maioria, eles ocorrem no ambiente familiar e são praticados por quem, em tese, teria o dever legal de proteger as vítimas, conforme estudos internacionais.

“Com a expansão da pandemia do novo coronavírus, as famílias se isolaram em suas casas para não contrair a Covid-19. Mas, infelizmente, o local que deveria ser sinônimo de proteção, se torna um ambiente propício para o abuso sexual de crianças e adolescentes indefesos, conforme apontam os casos notificados em Alagoas”, salienta a psicóloga Camile Wanderley, coordenadora da RAVVS.

Ela ressalta que as crianças e adolescentes atendidos pela RAVVS receberam assistência multidisciplinar em saúde, atendimento psicológico e seus casos foram notificados pelas autoridades de segurança pública. Denúncias que ocorreram de forma presencial no Hospital da Mulher, onde o serviço funciona todos os dias da semana, 24 horas por dia, ou através do telefone 0800 284 5415.

“Trabalhamos de forma integrada com os órgãos de segurança pública, a exemplo do IML [Instituto Médico Legal] e delegacias. Também temos atuado em parceria com a Seduc [Secretaria de Estado da Educação], capacitando educadores para que desenvolvam estratégias que criem uma cultura de respeito pelas crianças e adolescente, mulher e pelos LGBTQI+ nas escolas alagoanas”, salientou Camille Wanderley.

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O relatório aponta, ainda, que das 332 pessoas atendidas, 295 eram do sexo feminino e 37 do masculino. Além das 266 crianças e adolescentes vítimas de violência sexual atendidos pela RAVVS entre janeiro e julho deste ano, também foram assistidas 36 pessoas na faixa etária dos 18 aos 29 anos. A rede atendeu, ainda, 24 pessoas entre 30 a 59 anos; cinco pessoas acima de 60 anos e uma que não soube informar a idade.

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