Imagem Constipação e uso das “canetas emagrecedoras". Há relação?
Nutrição

Constipação e uso das “canetas emagrecedoras". Há relação?

Em 2 de Setembro de 2026 às 08:00

Por Por Júlia Fernandes

O uso de medicamentos agonistas do GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, tem crescido no tratamento da obesidade. Entre seus efeitos está o aumento da saciedade e o retardamento do esvaziamento gástrico, mecanismos que contribuem para a redução da ingestão alimentar. Porém, essa redução do volume de alimentos pode vir acompanhada de uma menor ingestão de fibras e líquidos, favorecendo alterações no funcionamento intestinal e aumentando a probabilidade de constipação.

Com a saciedade precoce, algumas pessoas passam a consumir quantidades muito menores de alimentos ao longo do dia. Consequentemente, pode haver redução do consumo de frutas, verduras, legumes, cereais integrais e outras fontes de fibras, nutrientes importantes para a formação e o volume adequado das fezes. Ao mesmo tempo, a menor ingestão hídrica pode contribuir para fezes mais ressecadas e maior dificuldade de eliminação.

Outro ponto importante é que os efeitos gastrointestinais desses medicamentos podem influenciar a motilidade do trato gastrointestinal. Assim, a combinação entre menor volume alimentar, menor consumo de fibras, hidratação insuficiente e alterações na motilidade pode favorecer a constipação em algumas pessoas.

Por isso, quem utiliza essas medicações precisa ter um olhar atento para a alimentação. O objetivo do tratamento não deve ser simplesmente reduzir cada vez mais a quantidade de comida, mas garantir que, mesmo com menor ingestão calórica, a alimentação continue nutricionalmente adequada. Proteínas, fibras, líquidos, vitaminas e minerais precisam ser considerados dentro de uma estratégia individualizada.

A constipação durante o tratamento não deve ser simplesmente aceita como algo inevitável. Ajustes na alimentação, hidratação, atividade física e rotina intestinal podem fazer parte do manejo, sempre respeitando a tolerância individual e a orientação de profissionais de saúde. Afinal, um processo de emagrecimento de qualidade precisa considerar não apenas o peso na balança, mas também a saúde intestinal, a preservação da massa muscular e a adequada nutrição do organismo.


Júlia Fernandes, nutricionista.

@juliabfernandes

Gostou? Compartilhe