Gabriel Amorim
O julgamento da morte de Davi da Silva, o adolescente de 17 anos, foi retomado nesta terça-feira (5) e entra no segundo dia. Durante a sustentação, o promotor Thiago Riff chegou a citar o caso do ex-goleiro Bruno Fernandes ao pedir a condenação de três policiais e uma ex-militar.
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Davi da Silva desapareceu em 25 de agosto de 2014, após uma abordagem policial. Os réus são a ex-militar Nayara Silva de Andrade e os policiais Victor Rafael Martins da Silva, Eudecir Gomes de Lima e Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, acusados de tortura, sequestro e cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
De acordo com a assessoria do Ministério Público, o promotor rebateu a tese de que, na ausência de corpo, não haveria crime. Para isso, citou o caso do ex-goleiro do Flamengo, condenado em 2013 a mais de 22 anos de prisão por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio.
Primeiro vamos retirar o elefante da sala. Porque quando não tem corpo, costumam afirmar que deve estar vivo. Garanto que o seu Cícero e a dona Maria José, quando estava viva, não acreditavam mais que o Davi pudesse voltar, não sejamos ingênuos", disse.
"Essa será a tese da defesa: que não há corpo, não há materialidade. Mas temos um caso parecido, o do goleiro Bruno, e três outros", completou.
O promotor também criticou o argumento de que os réus não possuem antecedentes criminais. "E daí? Não é isso que estamos julgando, mas o crime, independentemente de ser o primeiro, quem cometeu vai ser julgado e condenado pelo que fez", afirmou.
Defesa nega envolvimento
Antes mesmo do júri iniciar na segunda-feira (04), em entrevista à imprensa, a defesa dos réus reforçou a tese de inocência.
Um dos advogados, Raimundo Palmeira, afirmou que não há provas que sustentem a acusação e que a estratégia da defesa é demonstrar que os envolvidos não participaram da abordagem que resultou no desaparecimento do jovem.
Estes garotos e esta garota vêm a júri hoje por um crime de repercussão, crime que dói, mas vêm inocentes. O Estado não tem qualquer prova de que eles participaram dessa abordagem. E nós temos a contraprova. O Estado quem deveria instruir a prova da culpa, nada tem que prove a culpabilidade dessa guarnição. Não estou isentando que possa ter havido uma abordagem, mas é importante que se apure quem fez e não se condenar inocentes simplesmente para se dar uma satisfação", declarou.
Relembre o caso Bruno
O ex-goleiro Bruno foi preso em 2010 pelo assassinato de Eliza Samudio, ex-companheira dele.
Em 2013, foi condenado a mais de 22 anos de prisão por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado. A investigação apontou que Eliza foi morta após cobrar o reconhecimento de paternidade do filho que teve com o ex-jogador, Bruninho Samudio.
Bruno ficou preso em regime fechado de 2010 até 2019, quando progrediu para o semiaberto. Em 2023, obteve liberdade condicional.
No entanto, uma decisão de março da Vara de Execuções Penais determinou o retorno ao regime semiaberto após o ex-atleta viajar ao Acre sem autorização judicial, o que descumpriu as regras impostas pela Justiça.
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