O julgamento da morte de Davi da Silva, desaparecido após uma abordagem policial em 2014, começou em Maceió, com o pai clamando por justiça e afirmando a inocência do filho. Quatro pessoas são acusadas de crimes graves como tortura e homicídio qualificado.
A promotora de Justiça Lídia Malta enfatizou a necessidade de responsabilização dos envolvidos, destacando que o caso gerou grande comoção social e já se arrasta por mais de uma década sem resolução. Davi foi visto pela última vez após ser abordado pela polícia, e seu corpo nunca foi encontrado.
Familiares de Davi, que também sofreram com a perda, compareceram ao julgamento em busca de justiça, enquanto o Ministério Público reforçou seu compromisso em buscar a condenação dos acusados.
"Eu quero justiça". Foi com essa frase que Cícero Lourenço da Silva, pai de Davi da Silva, chegou ao julgamento da morte do filho, desaparecido após uma abordagem policial em 25 de agosto de 2014. O júri ocorre no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro Barro Duro, em Maceió.
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Respondem ao processo a ex-militar Nayara Silva de Andrade e Victor Rafael Martins da Silva, Eudecir Gomes de Lima e Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, acusados de tortura, sequestro e cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Emocionado, o pai afirma que não aceita o desfecho do caso e aponta que o filho era inocente.
Não pode ficar por isso, porque meu filho é inocente. Se ele fez qualquer coisa errada, que tivessem levado na minha porta para a gente resolver. Não poderiam pegar e fazer uma coisa dessas, dar fim no meu filho?", disse, em depoimento divulgado pelo Ministério Público.
Familiares também estiveram presentes no fórum. Com camisetas com a foto de Davi e a frase "Queremos Justiça", eles também exibiram cartazes com cobranças.
Mataram Davi! Assassinos na cadeia", dizia uma das mensagens. "Não deixaremos de lutar! A mãe lutou até o seu último dia de vida. Por ele, por ela, justiça", destacaram em outro.
Pai relembra sofrimento da mãe
Cícero também falou sobre o sofrimento da esposa, mãe de Davi, que nunca superou o desaparecimento do filho. Ela foi baleada de raspão em 2015 e morreu em 2025, antes de ver o desfecho do caso.
[A mãe] ficou pensando no nosso filho, o que fez, o que não fez. Qual era a obrigação deles [dos policiais]? Pegassem meu filho e o levassem pra minha casa, porque eu sou o pai e ela, a mãe. A gente teria tomado [as providências]. Ela morreu. Foi operada do coração, morreu por causa disso. Pensava tanto, quebrou tanto a cabeça com isso. E eu quero justiça", lamentou.
MP reforça pedido de condenação
Em entrevista à TV Pajuçara/RECORD, a promotora de Justiça Lídia Malta destacou que "o posicionamento do Ministério Público permanece firme em busca da responsabilização dos envolvidos".
Foi um caso que chocou a sociedade alagoana e que merece uma resposta. Já são mais de uma década de impunidade. Hoje temos a oportunidade de fazer justiça e, ao menos, oferecer à família a resposta que espera desde o dia em que Davi foi levado em um camburão e nunca mais foi visto", disse.
Segundo a acusação, além do homicídio qualificado e da tortura, os envolvidos também respondem pela ocultação de cadáver.
"Eles deram sumiço ao corpo de Davi. Ele foi assassinado e teve o corpo ocultado justamente para dificultar a elucidação dessa atrocidade", completou a promotora.
Relembre o caso
Davi da Silva sumiu após uma abordagem policial no bairro de Benedito Bentes, em agosto de 2014. Segundo testemunhas, ele estava com uma pequena quantidade de maconha e foi colocado dentro da viatura. Desde então, não houve mais informações sobre o paradeiro do jovem. Na ocasião, Davi estava acompanhado de Raniel Victor Oliveira da Silva, que foi encontrado morto meses após o sumiço do colega. Ele era a principal testemunha do caso.
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