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A Polícia Civil de São Paulo usou um áudio atribuído a um suposto integrante do crime organizado como um dos elementos para embasar o indiciamento da advogada Deolane Bezerra.
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Segundo os investigadores, o conteúdo é mais uma prova de que os valores em espécie vinculados ao núcleo familiar da influenciadora são provenientes de atividade criminosa. A defesa dela alega inocência.
O que diz o áudio
O áudio cita "dinheiro do crime" e ameaça ex-funcionária de Deolane. Denise Rosane Bastos trabalhava como diarista para a família Bezerra desde 2021 até que, em novembro de 2025, foi acusada de furtar R$ 80 mil em espécie da casa de Kayky Bezerra, filho da advogada, e passou a receber ameaças. O imóvel fica localizado no bairro Tatuapé, na zona leste da capital.
Entre as ameaças, está a de um homem, que afirma ser integrante do crime organizado. "Dinheiro oriundo do crime. Nós lava dinheiro com os parceiro lá, a mãe do parceiro, o parceiro fecha com nós", diz um trecho da gravação enviada à diarista. A análise policial identificou que os termos "parceiro" e "mãe do parceiro" referiam-se a Kayky e Deolane.
O homem faz ameaças e afirma que o grupo resolveria a situação sem acionar a polícia. "É o seguinte, ficamos de buscar uma moeda lá, quando nós chegamos lá deparamos que não tinha mais a moeda lá. Ele mostrou a filmagem de você entrando com uma sacola pequena, saindo com uma sacola grande. Só você entrou no apartamento, só você teve acesso a esse apartamento. Então nós quer resolver da melhor maneira. Nós não vai para a polícia porque nós é o crime, mas nós resolve do nosso jeito. Nós só quer o dinheiro de volta", continua, no áudio.
De acordo com o relatório da Polícia Civil, Denise também afirmou ter sofrido ofensas e ameaças por telefone vindas de Deolane. Além disso, seguranças particulares da investigada teriam ido até a residência da diarista para realizar buscas em seu imóvel, veículo e aparelho celular, sob forte pressão psicológica.
A investigação avançou após Denise entregar um pen drive com gravações recebidas de interlocutores desconhecidos. Para os delegados, esse episódio não é apenas uma desavença pessoal, mas uma "corroboração da tese investigativa". Segundo a polícia, o caso demonstra que o núcleo familiar lidava com grandes quantias de dinheiro físico de origem ilícita e mantinha uma estrutura operacional para a ocultação desses bens, reforçando a conclusão de que Deolane funcionava como o "caixa da facção criminosa".
Denise nega ter furtado a quantia da casa de Kayky. Ela move um processo contra Deolane e o filho da influenciadora. Na ação, a ex-funcionária acusa ambos de calúnia e ameaça.
Deolane, Marcola e mais cinco pessoas foram indiciadas
Deolane e outras seis pessoas foram indiciadas pela polícia. O Deinter 8 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 8) finalizou o relatório complementar da operação Vérnix, formalizando o indiciamento de sete pessoas. São elas:
O relatório destaca que a polícia deixou de indiciar Giliard Vidal dos Santos, filho de Deolane. As autoridades afirmaram que não foram encontrados indícios concretos de autoria no momento, embora ele figure formalmente como sócio em algumas empresas da mãe.
O grupo utilizava a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda. como núcleo operacional. Além disso, a polícia apontou que os indiciados também tinham uma rede de empresas interpostas para blindagem patrimonial. No caso da influenciadora, a polícia localizou documentos de um cronograma estratégico que detalhava a reestruturação de suas empresas para proteção de ativos e expansão no setor de apostas.
Durante as buscas foram apreendidos bens de luxo que reforçam a tese de lavagem de capitais, segundo a polícia. Na lista, estão veículos como Lamborghini Huracan EVO, uma Mercedes-Benz AMG G63 e um Cadillac Escalade, além de joias, relógios, mais de sete celulares, computadores e vultosas quantias em espécie.
A polícia representou pelo sequestro cautelar dos veículos e bloqueio de contas bancárias de familiares dos investigados. O objetivo seria o sufocamento patrimonial da organização.
Deolane foi presa por suposto elo com o PCC
Deolane foi presa no dia 21 de maio sob suspeita de integrar um esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A investigação teve origem em bilhetes e manuscritos atribuídos à facção apreendidos há sete anos em um presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Segundo a polícia, os documentos continham ordens internas do grupo e referências a integrantes do alto escalão da organização criminosa.
Tal menção levou a polícia a investigar transportadoras próximas à penitenciária. No inquérito, as autoridades identificaram Elidiane Saldanha Lopes Lemos, sócia da Lopes Lemos Transportes Ltda. Segundo a polícia, a apuração avançou a partir dessa transportadora e descobriu que a empresa não era apenas uma prestadora de serviços, mas uma "criação da própria facção".
Os bilhetes não mencionaram o nome de Deolane diretamente. No entanto, eles foram o pontapé inicial que permitiu às autoridades chegarem até ela em fases posteriores.
Deolane foi identificada como beneficiária de vultosos valores oriundos da transportadora. Segundo os autos, ela teria recebido valores da empresa, descrita pelas autoridades como criada para operar o "branqueamento de recursos ilícitos".
O que dizem as defesas
A defesa de Deolane afirma que ela é inocente e criticou a operação. Advogados classificaram as medidas adotadas como "desproporcionais" e disseram que os fatos serão esclarecidos "em momento oportuno".
O advogado disse que conversou com Marcola na segunda-feira, na Penitenciária Federal de Brasília. O encontro com o defensor Bruno Ferullo aconteceu quatro dias após a prisão da influenciadora.
Marcola negou qualquer relação com a transportadora investigada por lavar dinheiro para o PCC, segundo o defensor. Ele disse, ainda, que o único vínculo com os alvos da operação Vérnix é seu parentesco com Alejandro Camacho, seu irmão, e Leonardo e Paloma Camacho, seus sobrinhos.
O líder do PCC reagiu com "surpresa e indignação" quando foi informado que também era alvo da operação, de acordo com o advogado. Marcola, que está preso desde 1999, foi um dos alvos da operação e teve outro mandado de prisão cumprido contra ele dentro da prisão.
O UOL não localizou as defesas dos demais citados. O espaço segue aberto para manifestação.
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