Redação EdiCase
Uma pesquisa nacional encomendada pelo CIEE ao Instituto Locomotiva revelou que 84% das empresas valorizam mais a capacidade de aprender do que o domínio técnico na hora de efetivar um estagiário. O levantamento, realizado com profissionais de RH responsáveis por programas de estágio em todo o país, mostra que competências como proatividade, postura profissional, adaptabilidade e vontade de aprender têm peso cada vez maior nos processos seletivos.
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Conseguir o primeiro estágio é um dos principais desafios enfrentados por estudantes universitários. A ausência de experiência profissional costuma gerar insegurança, mas esse não é o principal critério observado pelas empresas durante os processos seletivos.
Segundo Joana Moreira, executiva de RH com atuação regional na América Latina e recém-reconhecida entre as Top 50 Female Leaders Brazil 2026, as organizações buscam cada vez mais candidatos que demonstrem potencial de desenvolvimento e competências comportamentais.
“Muitos estudantes acreditam que a falta de experiência é o principal obstáculo para conquistar o primeiro estágio. Na realidade, as empresas sabem que o estágio é um espaço de aprendizagem. O que faz diferença é a postura, a vontade de aprender e a capacidade de se desenvolver”, afirma.
A seguir, confira atitudes que podem aumentar as chances de conquistar a primeira oportunidade profissional.
Durante entrevistas e dinâmicas, a autenticidade costuma chamar mais atenção do que respostas decoradas. “Muitos candidatos ficam tão preocupados em acertar que acabam apresentando respostas genéricas. As empresas querem conhecer a forma como aquela pessoa pensa, aprende e reage diante de desafios”, explica Joana Moreira.
Saber trabalhar em equipe é uma das competências mais observadas pelos recrutadores. “Destacar-se em um processo seletivo não significa competir o tempo todo. Os recrutadores observam quem sabe ouvir, colaborar e construir soluções em conjunto. A capacidade de trabalhar com outras pessoas é uma das competências mais valorizadas no ambiente corporativo”, afirma Joana Moreira.
Conhecer a cultura, os valores e os desafios da organização demonstra interesse genuíno pela vaga. “Participar de uma entrevista sem conhecer a empresa pode transmitir desinteresse. Além disso, pesquisar previamente ajuda o candidato a entender se aquela organização realmente combina com seus objetivos profissionais”, diz a executiva.
Entender quem será responsável pelo desenvolvimento do estagiário pode ajudar na tomada de decisão. “O estágio é um momento de aprendizado acelerado. Por isso, vale a pena pesquisar sobre a liderança da área e refletir sobre o que é possível aprender com esses profissionais”, explica Joana Moreira.
Criar relacionamentos profissionais antes mesmo de conquistar uma vaga pode abrir portas importantes. “O LinkedIn e outros espaços de networking permitem que estudantes conheçam profissionais e empresas de forma respeitosa e estratégica. Muitas oportunidades começam por uma conversa”, ressalta a executiva.
Projetos acadêmicos, trabalhos voluntários, cursos e iniciativas pessoais também contam como experiências de desenvolvimento. “O primeiro estágio pode abrir uma porta, mas é a forma como cada profissional aproveita as oportunidades de aprendizado que vai definir os próximos passos da carreira”, ressalta Joana Moreira.
Para Lucas Gualberto, professor do Instituto Fliegen, projeto social sediado em Cotia (SP) que prepara gratuitamente estudantes da rede pública para olimpíadas de conhecimento, a habilidade de analisar situações e encontrar soluções está entre as mais importantes para os profissionais do futuro.
“Capacidade de resolver problemas, autonomia e trabalho em equipe estão entre as habilidades mais valorizadas atualmente. Em um mundo cada vez mais movido por ciência e tecnologia, as mudanças acontecem o tempo todo, e quem consegue se adaptar tem mais chances de se destacar”, afirma.
O professor destaca que as empresas procuram jovens capazes de aprender rapidamente e buscar conhecimento por conta própria. A importância aparece também na pesquisa do CIEE, que identificou a abertura ao aprendizado como o diferencial observado pelas empresas na efetivação de estagiários.
“O mercado está mudando em uma velocidade sem precedentes. Não basta dominar um conteúdo específico. É preciso desenvolver a capacidade de aprender constantemente e se adaptar a novas realidades”, explica.
Ao trocar ideias, ouvir os colegas e colaborar na resolução de problemas, o estagiário também amplia o próprio aprendizado e desenvolve habilidades importantes para o crescimento profissional.
“No mercado de trabalho, especialmente nos programas de estágio, as empresas valorizam profissionais capazes de aprender coisas novas e encontrar soluções para desafios que ainda não conhecem. E, muitas vezes, essas soluções surgem justamente por meio do trabalho em equipe”, conclui Lucas Gualberto.
Participar de olimpíadas do conhecimento, projetos científicos, grupos de pesquisa e competições acadêmicas pode ajudar a desenvolver competências valorizadas no ambiente corporativo. A falta de experiência não deve ser encarada como uma barreira. Em um cenário em que as empresas valorizam cada vez mais o potencial, a postura do candidato tem um peso tão importante quanto o currículo.
Por Maria Carolina Rossi
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