Pedro Acioli*
O empresário alagoano Alan Cavalcante do Nascimento, apontado como líder de uma organização criminosa investigada por esquemas de corrupção no setor de mineração, foi preso nessa quinta-feira (18), em Belo Horizonte (MG), durante a segunda fase da Operação Rejeito, realizada pela Polícia Federal.
LEIA TAMBÉM
A ação tem como alvo um grupo suspeito de atuar para impedir o avanço de investigações oficiais por meio de práticas de espionagem, monitoramento ilegal e sabotagem. Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa também seria comandada por Alan Cavalcante.
Além dele, a esposa, Tayná Vitória Cerqueira Gouveia, também foi presa. Durante a operação, os agentes federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão em quatro endereços distintos. A Justiça ainda determinou a suspensão das atividades das empresas supostamente envolvidas no esquema investigado.
De acordo com as investigações, o grupo teria atuado para obter informações sigilosas e comprometer apurações em andamento, com o objetivo de favorecer interesses criminosos e dificultar a atuação de órgãos de fiscalização e controle.
Os investigados poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e obstrução de investigações envolvendo organização criminosa. Somadas, as penas previstas podem ultrapassar 16 anos de prisão.
Alan foi preso em setembro
O empresário foi preso em setembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Rejeito, na época. O esquema era supostamente liderado por Alan e teria movimentado cerca de R$1,5 bilhão. As investigações apontam que somente o alagoano, por exemplo, teria recebido mais de R$225 milhões de empresas envolvidas no esquema entre dezembro de 2019 e dezembro de 2024.
Segundo os investigadores, o grupo teria corrompido servidores públicos em diversos órgãos estaduais e federais de fiscalização e controle na área ambiental e de mineração, com a finalidade de obter autorizações e licenças ambientais fraudulentas.
Essas autorizações eram utilizadas para usurpar e explorar irregularmente minério de ferro em larga escala, incluindo locais tombados e próximos a áreas de preservação, com graves consequências ambientais e elevado risco de desastres sociais e humanos, segundo aponta a PF.
STF determinou soltura em dezembro
Em dezembro do ano passado, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, substituiu a prisão preventiva por uma série de medidas cautelares.
Toffoli apontou que o conjunto de medida cautelares determinados por ele são “suficientes para assegurar a aplicação da lei penal, a preservação da ordem pública e econômica, bem como a conveniência da instrução criminal”.
Além de Cavalcante, também foram beneficiados com a medida o ex-diretor da Polícia Federal, Rodrigo de Melo Teixeira, e o ex-deputado estadual mineiro, João Alberto Paixão Lages, e Helder Adriano de Freitas, apontado como articulador do esquema.
Quem é Alan Cavalcante?
Alan tem uma mansão de três andares localizada em um condomínio de luxo no município de Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió, capital de Alagoas. Ele é conhecido por promover três semanas de festa, com direito a pool party e passeios de catamarã.
Uma das festas mais famosas que gosta de promover é a de Réveillon, quando cerca de quinhentos convidados costumam assistir a shows ao vivo, no ano de 2023 foi do cantor de Raí Saia Rodada, cujo cachê pode chegar a 400 mil reais por apresentação.
Até o ano de 2010, Cavalcante nunca havia trabalhado na área de mineração. Ele era envolvido com corridas de motocross e comemorações no modesto quintal da casa em que vivia, em Arapiraca, no agreste alagoano. Ele também já trabalhou como professor de matemática na cidade de Teotônio Vilela e na área de telecomunicações em Arapiraca.
No ano de 2023, ele chamou atenção dos holofotes após participar do Leilão promovido pelo jogador Neymar Jr. Na ocasião, ele comprou um blazer e um cordão de diamantes utilizados pelo craque do Santos pelo valor de R$1.2 milhão, o maior lote do evento.
*Estagiário sob supervisão
LEIA MAIS