“Era um predador”, diz testemunha sobre professor de basquete preso por abuso de menores

Publicado em 19/05/2026, às 08h42
- Arquivo/Reprodução/Freepik

Pedro Acioli*

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“Era um predador, e praticamente todos do basquete sabiam disso”. A denúncia é de uma testemunha do caso do professor e coordenador de esportes preso no sábado (16), em cumprimento a um mandado por importunação sexual. Segundo as autoridades, ele foi condenado pelo crime e ainda tem uma pena de 8 anos e 9 meses a cumprir.

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Após a divulgação da prisão pelo TNH1, diversas pessoas envolvidas com o esporte passaram a se posicionar e a se manifestar na internet a favor da detenção. Em um dos casos, uma mulher postou que era “inadmissível o condenado continuar habitando as quadras”. Confira: 

Em outro caso, uma jovem relata que chegou a chorar de emoção ao comemorar a prisão do professor e revelou que muita gente ainda o apoiava pela influência que ainda tinha. 

Hoje eu chorei de emoção ao saber da prisão desse indivíduo. Muita gente o apoiava, talvez pelo poder que ele exercia. Durante muito tempo, tive medo do que aquele psicopata ainda poderia fazer com mais crianças e adolescentes. 

Minha solidariedade a todas as vítimas desse crápula, que finalmente viram a justiça começar a ser feita.”

Testemunha detalha ação de educador 

Em um relato enviado para a TV Pajuçara, uma testemunha, que preferiu não se identificar, classificou o preso como um “sociopata” pela forma como ele persuadia os jovens atletas do basquete em que ele treinava. 

“[O local] Era usado como… vou usar palavras aqui, mas tipo: era um prostíbulo, era um motel, um lugar de sacanagem, para fazer a sacanagem dele, entendeu? Primeiro, que ele tem o dom de persuadir. Ele é um sociopata, na verdade”, afirma. 

De acordo com ela, o denunciado chegava aos atletas e dizia que eles teriam que fazer tudo que mandasse para se tornar um jogador de sucesso. “Ele ia cevando os meninos. Qual era a proposta? ‘pra você ser um bom jogador, você tem que fazer tudo que eu quero’, entendeu”. 

Ainda segundo a testemunha, o educador bebia com os menores e os abusava de diferentes formas. “Ele masturbava os meninos, fazia os meninos masturbar ele. Pedia beijo na boca, bebia com as crianças, com os adolescentes. [...] Então assim são muitos meninos, muitos, muitos, muitos, muitos, muitos, muitos, meninos mesmo’. 

Investigação começou em 2011

As vítimas, segundo as denúncias, demoraram a procurar as autoridades por medo e pela influência do professor no basquete alagoano. O investigado era considerado uma referência na modalidade e acumulava títulos em competições, incluindo as Olimpíadas Escolares, além de atuar como professor em diversos colégios. 

Em julho de 2011, o Ministério Público do Estado (MP) determinou que o inquérito policial fosse instaurado e o afastamento do educador das aulas. No fim do processo, ele foi condenado com base no Art. 215-A, que trata como “praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro”. 

Em 2024, o MP instaurou um procedimento administrativo para apurar se o professor continuava trabalhando em colégios particulares, escola pública e centro universitário. A informação mais atualizada é de que ele estaria, inclusive, como coordenador de esportes em uma instituição. 

Federação se posicionou

A Federação de Basketball de Alagoas divulgou nota, nessa segunda-feira, 18, para esclarecer que afastou, desde 2011, o professor denunciado por importunação sexual contra jovens alunos. 

Veja a nota da Federação na íntegra:

"A Federação de Basketball de Alagoas vem a público manifestar absoluto repúdio aos graves fatos recentemente divulgados pela imprensa envolvendo um ex-colaborador ligado ao Basquete Alagoano, preso em decorrência de condenação criminal relacionada a abusos praticados contra menores.

Os fatos apurados são extremamente graves, causam profunda indignação e afrontam de maneira inaceitável os princípios que norteiam o esporte, especialmente aqueles relacionados ao respeito, à ética, à integridade e à proteção de crianças e adolescentes.

A Federação esclarece que, tão logo surgiram as primeiras denúncias, ainda no ano de 2011, o referido indivíduo foi imediatamente afastado de qualquer atividade vinculada à entidade, não mantendo desde então qualquer relação institucional com esta Federação. Todos os gestores que sucederam a administração da entidade mantiveram integralmente esse posicionamento, reafirmando o compromisso da instituição com a seriedade e a responsabilidade no trato da questão.

Nos solidarizamos profundamente com todas as vítimas e seus familiares, reconhecendo a coragem daqueles que denunciaram os abusos e contribuíram para que os fatos fossem devidamente apurados pelas autoridades competentes.

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