“Foi o cotidiano da sala de aula”, diz defesa de professor investigado por injúria racial

Publicado em 11/03/2026, às 13h12
Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que o professor aponta para o aluno durante conversa sobre a capa do caderno - Foto: Reprodução

Eberth Lins

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O professor suspeito de cometer injúria racial contra um aluno em uma escola de Maceió foi ouvido pela polícia, nesta quarta-feira (11). O docente é investigado por, supostamente, ter associado o estudante à imagem de um chimpanzé, que estampava a capa de caderno de outro aluno. O caso aconteceu em uma escola particular do bairro Benedito Bentes e foi registrado por uma câmera de segurança.

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O depoimento aconteceu ainda pela manhã, no Complexo de Delegacias Especializadas (Code), em Mangabeiras, e durou cerca de duas horas.

O professor foi ouvido pela delegada Rebeca Cordeiro, responsável pela investigação, e negou ter praticado injúria racial. Conforme consta nos autos, ele diz que não ouviu do que se tratava a insinuação por ter problemas de audição.

Em entrevista à TV Pajuçara, o advogado de defesa do professor, Eduardo Vasconcelos, reforçou a versão do professor de que não houve crime, e que foi apenas um dia de rotina de sala de aula.

"Falou tudo que tinha que falar, toda a verdade foi exposta. Não houve a intenção, não houve o que a gente chama de dolo específico de judiar. Foi o cotidiano de uma sala de aula, que um aluno traz uma imagem de um gorila, não tinha nada com ele [estudante vítima].  Ele [o professor] aponta aleatoriamente para a turma e um dos alunos se sentiu ofendido, o que gerou toda essa polêmica. Um professor com mais de 20 anos de sala de aula, também negro e com filhos negros. Ele sabe o preço do racismo", disse o advogado, destacando que o professor estaria recebendo amplo apoio da comunidade escolar.

Após o caso ter sido denunciado e exposto, o professor foi demitido por justa causa. "A gente vai tentar reverter a justa causa na justiça do trabalho. Tive acesso ao procedimento interno, extremamente frágil, foi uma tentativa de prestar contas com a sociedade com medo de algum processo por parte dos pais do estudante", complementa o advogado.

"Ele tem problema de audição, usa aparelho auditivo. Em nenhum momento houve a intenção de apontar, não existia ânimo, não teve nada", reforça a defesa, que se apoia também no fato de o vídeo não ter som.

Ausência de áudio não vai invalidar investigação, rebate delegada

Para a delegada Rebeca Cordeiro, a defesa "está ignorando a presença de mais ou menos 20 testemunhas em sala de aula".

"Nem tudo tem prova material, a prova testemunhal é válida e sólida. Então não procede. Ele vai usar isso como forma de defesa, ele tem direito a todas as defesas que quiser, mas não é a ausência de um áudio que vai invalidar o procedimento investigatório", pontuou a delegada.

Rebeca Cordeiro seguiu dizendo que há, sim, provas da prática de ato racista contra o estudante. 

"Não estou dizendo que o professor seja racista. Ele cometeu um ato racista! Tem essa diferença, às vezes você engaja na brincadeira e esquece que está tratando com outro ser humano que não merece, de forma alguma, ser ofendido. E isso é um crime muito grave", acracentou a autoridade policial.

Coordenadores pedagógicos e estudantes ainda serão ouvidos como parte da investigação. A previsão é que o inquérito sejá conluido na próxima semana.

O caso - Um professor está sendo investigado por injúria racial após apontar um aluno negro como “semelhante” a um macaco durante uma aula em uma escola no bairro do Benedito Bentes, em Maceió.

Um vídeo mostra o professor cometendo injúria racial contra o aluno. As imagens mostram o momento em que um estudante apresenta a capa de um caderno, ilustrada com um chimpanzé, e pergunta ao docente com quem o animal se parecia.

No vídeo, sem áudio, o professor aponta para outro aluno, um menino negro de 13 anos, sugerindo a semelhança entre ele e a figura do caderno. Segundo o relato da vítima à polícia, o professor teria dito “parece com esse aqui”; assista ao vídeo:

 

O professor poderá responder por injúria racial e por discriminação com finalidade de entretenimento.

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