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Internos resgatados de clínica em AL: alguns precisaram de internação hospitalar, diz MP

Publicado em 10/10/2026, às 10h21
- Segundo o MPAL, os pacientes foram levados para Maceió em um ônibus e uma van

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Alguns dos internos resgatados de uma clínica para tratamento de dependentes químicos na zona rural de Anadia, interior de Alagoas, precisaram de internação hospitalar após deixarem a unidade.

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A informação foi divulgada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), que realizou uma fiscalização na clínica na terça-feira (6) e identificou diversas irregularidades. Cerca de 40 pessoas foram resgatadas, entre elas um adolescente de 15 anos.

Segundo o MPAL, os pacientes foram levados para Maceió em um ônibus e uma van e passaram a noite na Casa de Ranquines. Na sexta-feira (9), o órgão divulgou informações sobre os encaminhamentos realizados após o resgate.

Alguns internos precisaram de internação hospitalar, enquanto outros foram encaminhados para acolhimento institucional. Já parte deles foi buscada por familiares na Casa de Ranquines.

“Além de proporcionar que eles saíssem da clínica, o Ministério Público garantiu que cada um deles fosse reinserido em seu ambiente anterior à internação ou tivesse o acolhimento necessário para que possa retomar o controle de sua vida”, explicou a promotora de Justiça Alexandra Beurlen 

O caso

Cerca de 40 pessoas foram resgatadas de uma clínica para tratamento de dependentes químicos na zona rural de Anadia, interior de Alagoas, após uma fiscalização realizada pelo Ministério Público, nessa terça-feira (06). 

Os internos relataram que eram mantidos no local contra a própria vontade e contaram às autoridades episódios de agressões, falta de alimentação e punições que incluíam ficar amarrados e trancados em um quarto escuro.

De acordo com o MPAL, entre os pacientes estava um adolescente de 15 anos, que contou ter passado dois dias trancado em um cômodo sem ventilação e ser obrigado a secar uma piscina usando apenas um balde, depois de uma discussão com um dos responsáveis pela unidade. 

“Eu fiquei só de cueca, dois dias nesse local. Fui pra lá porque o filho do missionário disse que ia pegar minha mãe, eu respondi, aí ele me colocou lá. Mas também já tive que secar a piscina com um balde. Quando minha família veio me visitar, eu não contei isso porque eles diziam que iriam elevar minha punição. Eu dei uma de feliz, porque se eu contasse, ia sofrer uma nova punição. Eu tava há cinco dias sem comer. A salsicha quando vinha era com cheiro de podre. Aqui eu tive febre, dor de cabeça, tontura. Eu tô feliz que vou voltar pra casa”, relatou o adolescente. 

A fiscalização aconteceu depois de uma denúncia anônima sobre a clínica. No local, conforme detalhou o MPAL, também foram encontrados idosos que reclamaram de não ter acesso aos próprios cartões bancários e aposentadorias. Dois deles precisaram ser levados de ambulância por causa das condições de saúde.

Os responsáveis pela clínica não apresentaram documentos que autorizassem as internações compulsórias dos pacientes. Também não foram encontrados laudos psiquiátricos individuais ou ordens judiciais que justificassem a permanência deles contra a própria vontade.

A Polícia Civil também foi acionada e levou o proprietário da clínica para a delegacia, que pode ser investigado por suspeitas de cárcere privado, retenção de documentos e valores e possíveis maus-tratos. O adolescente de 15 anos foi encaminhado ao Conselho Tutelar.

"Encontramos indícios fortes de retenção de documentos e valores, cárcere privado, talvez maus tratos, e estamos com os responsáveis na delegacia em processo de prisão em flagrante. Vamos abrir inquérito policial para robustecer e encaminhar para a Justiça”, complementou o delegado Medson Maia.
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