Gabriel Amorim
A Justiça de Alagoas decretou a prisão preventiva do empresário Marcello Gusmão de Aguiar Vitório, investigado por incendiar o apartamento da ex-namorada no bairro da Ponta Verde, em Maceió, em fevereiro de 2025. A decisão foi proferida pela 8ª Vara Criminal da Capital na última segunda-feira (4).
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Ao TNH1, a Polícia Civil informou que equipes já estão em diligências para cumprir o mandado de prisão, sob o comando da delegada Ana Luiza Nogueira.
A reportagem entrou em contato com as defesas das partes. Segundo a advogada Amanda Montenegro, que representa a vítima, as medidas cautelares estavam sendo descumpridas reiteradamente.
Veja a nota, na íntegra:
"Desde a soltura do agressor, Mariana e toda a sua família passaram a viver em constante estado de medo e terror, temendo diariamente pela própria integridade física. Mesmo diante das medidas cautelares impostas pelo Poder Judiciário, o agressor reiteradamente descumpria as determinações judiciais, fatos estes que foram devidamente noticiados nos autos do processo.
No início deste ano, o próprio COPEN informou que a tornozeleira eletrônica utilizada pelo agressor apresentava constantes falhas de sinal, situação considerada incomum na capital, levantando fortes indícios de eventual utilização de inibidor de sinal para burlar a fiscalização estatal.
Em uma das ocasiões mais graves, vítima e agressor chegaram a permanecer frente a frente no mesmo ambiente, sem que o dispositivo de pânico emitisse qualquer alerta, fato que aumentou ainda mais a sensação de insegurança da vítima e de seus familiares.
Dias depois, durante audiência realizada no processo, toda essa situação foi levada ao conhecimento do Judiciário, inclusive sendo informado o endereço atual da vítima. Para surpresa da defesa técnica, após ser questionado, o agressor informou que havia se mudado, há meses, para um endereço localizado a menos de 700 metros da residência da vítima.
Após a descoberta, os acionamentos do botão de pânico passaram a ocorrer diariamente, sendo ainda mais intensos durante o período noturno. Segundo relatos, durante diversas madrugadas o dispositivo era acionado de forma constante, evidenciando o estado permanente de vigilância, medo e abalo psicológico vivenciado pela vítima e por toda a sua família.
A partir de então, Mariana passou a sofrer de forma ainda mais intensa violência psicológica, diante da clara tentativa do agressor de intimidar, controlar e manter sua presença constante na vida da vítima e de toda a família, mesmo após as medidas protetivas deferidas judicialmente.
Foram meses de luta e sucessivos relatos de descumprimentos até que, finalmente, a prisão do agressor foi decretada. Entretanto, segundo informações obtidas, o investigado desligou a tornozeleira eletrônica e encontra-se foragido".
A reportagem aguarda o posicionamento da defesa do empresário Marcello Gusmão.
Relembre o caso
Marcello Gusmão é investigado por atear fogo no apartamento da ex-namorada, na Ponta Verde, em Maceió. Ele chegou a ficar preso por cerca de dois meses, mas foi solto em abril de 2025.
Segundo a defesa da vítima, a soltura ocorreu após o Ministério Público de Alagoas (MP-AL) perder o prazo para se manifestar sobre as acusações.
O empresário foi denunciado por tentativa de homicídio, violência psicológica, dano e incêndio. À época, ele afirmou ser inocente e negou participação no crime.
Quando foi colocado em liberdade, a Justiça determinou o cumprimento de medidas cautelares. Uma delas era a proibição de manter qualquer tipo de contato com a vítima.
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