Caso Davi: PMs e ex-militar são condenados pela morte do adolescente; veja penas

Publicado em 06/05/2026, às 06h58
Divulgação / MP
Divulgação / MP

Por Gabriel Amorim

Os três policiais militares e a ex-militar foram condenados pelo Tribunal do Júri de Alagoas pela morte de Davi da Silva, o adolescente de 17 anos. O menor desapareceu após uma abordagem policial em 25 de agosto de 2014.

O Conselho de Sentença acatou todas as acusações contra os policiais Vitor Rafael Martins da Silva, Eudecir Gomes de Lima e Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, e a ex-militar Nayara Silva de Andrade. Eles respondiam por tortura, sequestro e cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Confira abaixo as penas de cada um, divulgadas pelo Ministério Público de Alagoas:

  • Eudecir Gomes: 28 anos, 1 mês e 3 dias de reclusão;
  • Carlos Eduardo Ferreira e Nayara Silva: 24 anos, 4 meses e 13 dias de reclusão e mais 1 ano, 11 meses e 14 dias de detenção por tortura;
  • Vitor Rafael: 21 anos, 9 meses e 13 dias de reclusão e mais 1 ano, 7 meses e 11 dias de detenção por tortura.

De acordo com o Ministério Público, os militares perderam os cargos. Já Nayara foi impedida de exercer qualquer função pública.

Foram dois dias de julgamento no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro Barro Duro, em Maceió. Ao final, os promotores Tiago Riff e Lídia Malta afirmaram sentir "dever cumprido" e destacaram que agora a família de Davi teve um desfecho.

O Conselho de Sentença acatou integralmente o pedido de condenação que o MP fez. Saímos daqui com a sensação de dever cumprido. [É] uma resposta à sociedade e às famílias de Davi e Raniel [que acompanhava o jovem no dia do desaparecimento e foi encontrado morto meses após o sumiço do colega]", disse Tiago Riff.

"A família de Davi agora finalmente pode ter paz. Podem sentir, portanto, que foi realizado a justiça, que a sociedade alagoana ouviu os clamores e reparou, ao menos, esse tempo de impunidade", afirmou Lídia.

A promotora Lídia Malta | Divulgação / MP

Julgamento

O julgamento teve início na segunda-feira (4), com a oitiva de testemunhas. Segundo o Ministério Público, foram 14 da defesa. Depoimentos da mãe de Davi, morta em 2025 antes do desfecho do caso, e de Raniel foram exibidos em vídeo.

O pai de Davi, Cícero Lourenço da Silva, passou mal durante o primeiro dia e precisou ser atendido por médicas do Tribunal de Justiça de Alagoas. Antes do início do júri, ele havia cobrado justiça.

Não pode ficar por isso, porque meu filho é inocente. Se ele fez qualquer coisa errada, que tivessem levado na minha porta para a gente resolver. Não poderiam pegar e fazer uma coisa dessas, dar fim no meu filho?", disse, em depoimento divulgado pelo Ministério Público.

A sessão foi suspensa por volta das 18h da segunda-feira (4) e retomada pouco depois das 8h, quando começaram os debates.

Durante a sustentação, o promotor Thiago Riff chegou a citar o caso do ex-goleiro Bruno Fernandes ao pedir a condenação dos réus.

Primeiro vamos retirar o elefante da sala. Porque quando não tem corpo, costumam afirmar que deve estar vivo. Garanto que o seu Cícero e a dona Maria José, quando estava viva, não acreditavam mais que o Davi pudesse voltar, não sejamos ingênuos", disse.

"Essa será a tese da defesa: que não há corpo, não há materialidade. Mas temos um caso parecido, o do goleiro Bruno, e três outros", completou.

O promotor Tiago Riff | Divulgação / PM

O promotor também criticou o argumento de que os réus não possuem antecedentes criminais. "E daí? Não é isso que estamos julgando, mas o crime, independentemente de ser o primeiro, quem cometeu vai ser julgado e condenado pelo que fez", afirmou.

Defesa nega envolvimento

Antes mesmo do júri iniciar na segunda-feira (04), em entrevista à imprensa, a defesa dos réus reforçou a tese de inocência.

Um dos advogados, Raimundo Palmeira, afirmou que não há provas que sustentem a acusação e que a estratégia da defesa é demonstrar que os envolvidos não participaram da abordagem que resultou no desaparecimento do jovem.

Estes garotos e esta garota vêm a júri hoje por um crime de repercussão, crime que dói, mas vêm inocentes. O Estado não tem qualquer prova de que eles participaram dessa abordagem. E nós temos a contraprova. O Estado quem deveria instruir a prova da culpa, nada tem que prove a culpabilidade dessa guarnição. Não estou isentando que possa ter havido uma abordagem, mas é importante que se apure quem fez e não se condenar inocentes simplesmente para se dar uma satisfação", declarou.

Relembre o caso

Davi da Silva sumiu após uma abordagem policial no bairro de Benedito Bentes, em agosto de 2014. Segundo testemunhas, ele estava com uma pequena quantidade de maconha e foi colocado dentro da viatura. Desde então, não houve mais informações sobre o paradeiro do jovem. Na ocasião, Davi estava acompanhado de Raniel Victor Oliveira da Silva, que foi encontrado morto meses após o sumiço do colega. Ele era a principal testemunha do caso.

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