Lula prestou depoimento hoje à PF em Brasília, na Operação Zelotes

Publicado em 06/01/2016, às 22h00
-

Redação

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira, 6, em Brasília, sobre suposto esquema de "venda" de medidas provisórias em seu governo. O pedido foi feito pela defesa do petista e aceito por investigadores da Operação Zelotes.

Segundo a assessoria de imprensa do ex-presidente, ele prestou informações ao delegado Marlon Cajado "colaborando, como sempre faz, para esclarecer a verdade". 

Hoje, Lula foi apenas prestar informações à PF, sem que o depoimento fosse colhido como testemunha ou como investigado. 

O lobista Alexandre Paes dos Santos, no entanto, preso e denunciado no esquema, arrolou Lula para depor como sua testemunha de defesa. A intimação do petista e de mais 11 pessoas no caso foi autorizada nesta semana pelo juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, que conduz a ação penal sobre o caso. As oitivas devem acontecer no final de janeiro.

De acordo com nota emitida pelo Instituto Lula, a data e o horário do depoimento foram definidos pelo delegado Cajado com os advogados do ex-presidente em dezembro passado. Inicialmente, o depoimento estava marcado para o dia 17 de dezembro, mas foi adiado para hoje.

Lula foi intimado a dar explicações sobre "fatos relacionados ao lobby realizado para a obtenção de benefícios fiscais", por meio de Medidas Provisórias (MPs) que favoreceram montadoras de veículos. O caso foi revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo em série de reportagens publicada em outubro.

A assessoria do ex-presidente afirmou que as MPs 471/2009 e 512/2010, editadas em seu governo, tiveram como objetivo promover o desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, "sem favorecimento a qualquer setor".

"A MP 471/2009 prorrogou, de 2010 até 2015, incentivos fiscais concedidos desde 1997 e 1999 a indústrias automotivas e de autopeças instaladas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País e foi aprovada por unanimidade no Congresso. A MP 512/2010 estendeu os incentivos a novos projetos destas indústrias, com exigência de novos investimentos em tecnologia e inovação", diz a nota.

Lula argumentou ainda que as duas MPs geraram milhares de empregos e que elas foram resultado de "reivindicações e diálogo com lideranças políticas, governadores, sindicalistas e empresários".

A assessoria do ex-presidente destacou que quando o Congresso acrescentou emenda parlamentar à MP 627 relativa à tributação de empresas no exterior, em 2013, Lula já não era mais presidente da República.

Luís Cláudio Lula da Silva, filho caçula do ex-presidente, é investigado na Zelotes por suspeita de receber R$ 2,5 milhões de um dos lobistas investigados pela compra das MPs. Outro alvo da operação é o ex-ministro Gilberto Carvalho. Os dois negam ter participado de irregularidades.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Google atualiza informações no Maps após exibir alertas falsos da Defesa Civil Mulher de Serra Leoa dorme há 6 meses em aeroporto de Belém; Justiça determina que governo preste assistência Polícia Federal abre investigação sobre invasão de sistema da Defesa Civil Acidente com 15 veículos deixa 1 morto em rodovia da Grande BH