Flávio Gomes de Barros
Jornalista Roseann Kennedy:
LEIA TAMBÉM
“Menos de 48 horas após o resultado do primeiro turno da corrida presidencial, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e parte dos seus aliados, adotaram uma repentina 'mansidão' em relação aos bolsonaristas.
Nesta terça-feira, 6, Moraes autorizou a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos a cumprir pena no regime semiaberto. 'Débora do Batom', como ficou conhecida, foi condenada a 14 anos de prisão por pichar a estátua da Justiça em frente ao STF, durante os atos golpistas de 8 de janeiro. Ela virou uma espécie de símbolo dos excessos do Supremo na aplicação de penas nesse episódio e foi tema de muita conversa entre eleitores neste ano. Somente agora conseguiu essa progressão.
No mesmo dia, instado por Moraes, o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, manifestou-se a favor de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) possa voltar a visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão domiciliar.
Horas depois, o ministro Gilmar Mendes determinou o arquivamento de um pedido de investigação, por suspeita de estupro e suborno, contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que é o vice da chapa à presidencial de Flávio. A Procuradoria-Geral da República não havia encontrado elementos que justificassem uma investigação.
As três decisões ocorreram em sequência e têm um fator político em comum: foram proferidas depois de a crise do Supremo impactar diretamente no resultado das urnas e Flávio Bolsonaro terminar à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da disputa pela Presidência por 47,03% contra 45,16%.
O comportamento na Corte, entretanto, está longe de significar um ambiente pacificado. Ao contrário disso, mantém alinhamento com os interesses de Lula, que agora elevou o tom contra o Supremo e sabe que a população precisa ficar menos furiosa com os magistrados antes do segundo turno.
A estratégia de recuo dos ministros do STF também aponta para o início da dinâmica do ‘salve-se quem puder. A Corte já vislumbra um eventual governo de Flávio Bolsonaro e sabe que será muito mais difícil evitar o avanço dos pedidos de impeachment no Senado. Além disso, o novo presidente da República vai indicar pelo menos mais três ministros para o STF. E se for Flávio, a turma de Moraes terá seu poder ameaçado.
Nesse cenário, o Supremo começou a construir pontes com o bolsonarismo e abriu as portas para o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio. Marinho articula sua candidatura ao comando do Senado Federal, casa responsável por processar os pedidos de cassação dos supremos ministros.”
LEIA MAIS
Alfredo Gaspar vai processar Lindbergh Farias e Soraya Thronicke Depois do assédio eleitoral no trabalho, a caça às bruxas Teria Luciano Barbosa se vingado de Renan Filho? Flávio senta na cadeira antes da hora, mas eleição ainda não acabou