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'Me senti invadida', diz aluna após câmera ser encontrada em banheiro de colégio cívico-militar

Publicado em 21/10/2026, às 09h12
- Reprodução

g1 Paraná

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Alessa Gabriele, aluna do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, de Cambé, no Norte do Paraná, diz que a instituição não avisou que havia uma câmera no banheiro feminino. De acordo com ela, os responsáveis pelos estudantes não assinaram nenhum termo que autorizasse as imagens nos sanitários.

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O aparelho foi descoberto pelos alunos na segunda-feira (19), quando uma estudante decidiu olhar de perto um equipamento instalado na parede que emitia luz vermelha. Por trás do plástico, havia um dispositivo gravando imagens.

Um outro aluno fotografou o sistema de monitoramento do colégio e registrou como eram os vídeos captados, mostrando as cabines e espelhos do ambiente.

"Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares", disse Alessa.

De acordo com o boletim de ocorrência, as alunas sabiam da existência de um equipamento no local há aproximadamente três anos. Entretanto, a direção havia dito, à época, que se tratava de um sensor de fumaça para evitar que estudantes fumassem no ambiente.

No boletim, as jovens relataram que usaram a área comum do banheiro recentemente e trocaram de roupa para uma sessão de fotografias, "o que significa que seus corpos e sua nudez foram indevidamente expostos e registrados sem qualquer consentimento", consta no documento.

Colégio confirma câmeras

O colégio confirmou ter instalado aparelhos de monitoramento e negou captar imagens de dentro das cabines.

Segundo a instituição, as câmeras "estavam direcionadas às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, sem captar os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes".

O colégio também afirmou que o estudante que registrou o painel de monitoramento acessou a sala de vigilância sem autorização. Confira a nota completa abaixo.

A Secretaria Estadual de Educação do Estado do Paraná (Seed-PR) informou que os equipamentos foram retirados e não há imagens armazenadas neles. O órgão informou que irá enviar equipe ao local para verificar a situação.

A Polícia Civil (PC-PR) informou que instaurou inquérito policial e está em diligências para apuração dos fatos.

Veja a nota do colégio:

"Prezados pais e responsáveis,

Circulou em alguns grupos uma imagem do sistema de monitoramento do colégio.

Esclarecemos que as câmeras mencionadas estavam direcionadas às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, sem captar os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes. Sua finalidade era acompanhar os acessos e contribuir para a segurança escolar.

Conforme as informações levantadas pela direção até o momento, um estudante entrou sem autorização na sala dos monitores militares e acessou o computador utilizado pela equipe, registrando a imagem posteriormente compartilhada. As circunstâncias desse acesso e da divulgação serão apuradas, preservando-se a identidade dos envolvidos.

Também foram registrados, nesta data, atos de vandalismo, com a retirada à força das câmeras dos acessos aos banheiros. O colégio adotará as medidas administrativas cabíveis e os encaminhamentos necessários aos órgãos competentes, assegurando a apuração dos fatos e a escuta dos envolvidos.

Reafirmamos nosso compromisso com a segurança, a dignidade e a privacidade dos estudantes. O monitoramento de salas de aula, corredores e acessos integra as medidas de proteção do ambiente escolar e deve respeitar esses direitos.

Pedimos às famílias que busquem esclarecimentos diretamente com a direção e evitem compartilhar imagens de segurança ou informações sem verificar seu contexto. Contamos com a parceria de todos na orientação dos estudantes sobre o respeito aos espaços de acesso restrito, aos equipamentos e ao patrimônio público".

O que a SEED diz:

"O Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina informa que, assim que tomou conhecimento da instalação de uma câmera no banheiro do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, orientou a direção sobre as providências, com atenção à privacidade e à segurança dos estudantes.

A escola informou que os equipamentos já foram retirados e que não há imagens armazenadas relacionadas a eles.

Uma equipe do NRE realizará visita in loco para verificar a situação e orientar os próximos encaminhamentos.

A Seed-PR acompanha o caso e reforça que o monitoramento nas unidades escolares deve respeitar integralmente a privacidade, a dignidade e a segurança dos estudantes e de toda a comunidade escolar, assegurando a adoção das medidas cabíveis após a apuração dos fatos".

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