Ministério da Justiça coloca estrutura da PF à disposição dos estados para identificar metanol

Publicado em 03/10/2025, às 14h15
- Imagem feita por I.A.

CONSTANÇA REZENDE/Folhapress

O Ministério da Justiça e Segurança Pública colocou a estrutura da Polícia Federal à disposição das polícias científicas estaduais e do Distrito Federal para ajudar no trabalho de perícia do metanol.

LEIA TAMBÉM

De acordo com um nota publicada no site da pasta, isso inclui a capacidade técnica de identificar o chamado "DNA do metanol", que pode dizer se a substância tem origem vegetal ou de combustíveis fósseis.

O órgão afirmou que o Instituto Nacional de Criminalística da PF será responsável pelo que chama de exames avançados de isótopos estáveis, método que permite rastrear a origem do metanol nas amostras contaminadas.

"Esse tipo de análise, considerada de alta complexidade, é crucial para detectar se o material é derivado de fontes naturais ou adulterado com compostos industriais", diz a pasta.

A Polícia Federal atuará, ainda, como eixo logístico, realizando o transporte de amostras de bebidas suspeitas até laboratórios de referência. Serão disponibilizadas as suas 49 unidades de criminalística como pontos de coleta e entrada para o sistema nacional de resposta pericial.

O ministério também anunciou que fornecerá suporte técnico aos estados para a realização de exames periciais de detecção e quantificação de metanol e que distribuirá padrões analíticos da substância às polícias científicas estaduais.

Além disso, afirmou que capacitará peritos locais em análises químicas de alcoolemia, incluindo a identificação de metabólitos de metanol em amostras biológicas.

"O plano também inclui orientações especializadas para a verificação de embalagens, rótulos e lacres de bebidas suspeitas, além da aplicação de técnicas de epidemiologia forense para georreferenciamento e análise de óbitos ou casos de intoxicação. O objetivo é identificar padrões, estabelecer vínculos de causalidade e aprimorar a resposta investigativa em casos que ameaçam a saúde pública", acrescenta.

O Ministério da Saúde afirmou nesta quinta-feira (2) que há uma morte por intoxicação por metanol confirmada em laboratório, além de outras sete sob investigação.

A pasta disse que recebeu 59 notificações de possível contaminação pelo produto após consumo de bebida alcoólica em São Paulo, Pernambuco e no Distrito Federal. Há 11 casos confirmados e 48 em análise, números que incluem pacientes que morreram.

Nesta sexta (3) o Governo da Bahia divulgou que foi notificada a primeira morte por suspeita de intoxicação por metanol no estado.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil costuma registrar cerca de 20 casos por ano de intoxicação por metanol, em geral relacionados a tentativas de suicídio ou autoagressão ou de pessoas em situação vulnerável, como moradores de rua, que consomem combustível por causa do teor alcoólico.

O governo federal instalou uma sala de situação para monitorar os casos de intoxicação. A equipe que irá acompanhar o tema será composta por representantes dos ministérios da Saúde, Justiça, Agricultura, além dos conselhos de secretários de saúde dos estados (Conass) e de municípios (Conasems). Anvisa e os governos de São Paulo e Pernambuco também participam das conversas.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

iFood confirma vazamento de dados de 1,2 milhão de usuários Tem água Crystal em casa? Veja o que fazer após recolhimento de lote por presença de bactéria Bancos não terão atendimento presencial no feriado de Corpus Christi Mulher de 37 anos 'adotada' após fingir ter 12 ganhou festa de aniversário da família