Morte de bebê: conselheira cita abandono de incapaz e diz que "tem gente querendo dar amor'

Publicado em 25/01/2022, às 12h59
A conselheira tutelar Valmenea Santos disse que a morte poderia ter sido evitada se o órgão fosse procurado por quem abandonou a recém-nascida | Reprodução/TV Pajuçara -

TNH1 com TV Pajuçara

A morte da recém-nascida que havia sido resgatada da situação de abandono em lixão, no Conjunto Virgem dos Pobres, na orla lagunar de Maceió, chocou os alagoanos na manhã desta terça-feira, 25. A bebê prematura foi deixada enrolada em um pano e, depois de localizada, foi levada às pressas para um hospital, onde foi reanimada e intubada. Ela não resistiu e teve o óbito confirmado por volta de 10h. Em entrevista ao programa Fique Alerta, da TV Pajuçara/Record TV, a conselheira tutelar Valmenea Santos afirmou que quem deixou a criança no lixo cometeu crime por abandono de incapaz. Ela também lamentou que muitas famílias aguardam a oportunidade de fazer uma adoção legal e dar um futuro para crianças que os pais não tenham condições de criar. 

LEIA TAMBÉM

"Existe essa lei, é a lei da entrega voluntária. O Conselho Tutelar da Região 2, em 2021, recebeu mais de 10 casos de gestantes que não estavam preparadas para receber a criança, para criar e cuidar. Foi dado todo o amparo, questão de pré-natal. E quando a criança nasceu, foi entregue às autoridades, levadas ao abrigo e hoje estão no seio familiar, foram adotadas. Essa lei existe, é uma lei federal. Está garantida às gestantes. Quero deixar esse recado. O Conselho Tutelar de Maceió está levantando essa bandeira para aquelas mães que estão gerando aquele bebezinho lá no ventre e não têm condições de criar, de cuidar. Estamos aqui para receber, orientar e fazer os encaminhamentos. Essa lei da entrega voluntária veio para ajudar essas mães que pensam na questão do aborto, por não terem condições financeiras e outros motivos. Essa lei veio para isso, para não fazer entrega ilegal, irregular, adoção irregular também é crime. Há todo um trâmite por juizado. Pode procurar o conselho, vocês não serão recebidas com discriminação em nenhum momento. Agora, a partir do momento que você tem o bebê e o joga no lixo, sem dó, sem piedade, aí sim é crime", repudiou a conselheira, que se emocionou ao falar que muitas famílias estão dispostas a dar amor e carinho. 

"Temos mais abandonos que a entrega voluntária e o abandono de uma outra forma. A maioria entrega para terceiros que não estão habilitados, que não passaram pelos critérios que o juizado exige, que a lei exige para entrar na fila de adoção. Entregam a qualquer um. Há dois meses tivemos um caso aqui em que a mãe deixou a criancinha numa porta e saiu. Até hoje não apareceu. E a criança está num abrigo. Esse abandono precisa acabar, minha gente. Existe a lei. Tem gente querendo dar amor e carinho e que está habilitada no juizado, que passou por toda a equipe multidisciplinar para estar recebendo uma criança. Amor. Esse gesto de entrega voluntária, essa mãe que vai entregar, não é falta de amor, ao contrário, é uma forma diferente de amar", desabafou. 

De acordo com a conselheira, a bebê não foi vítima de aborto e teve nascimento natural. "Pelo que foi relatado, foi um nascimento. A criança chegou com vida, estava toda formada, o bebezinho estava todo formado. Foi um abandono de incapaz. É com muita tristeza, a gente que acompanha casos aqui no Conselho de crianças que são encaminhadas para a adoção. Ontem eu pensei: 'Então a criança vai ficar bem e encontrar uma família à espera'. Mas, infelizmente, essa história não teve um final feliz". 

O caso - Ainda envolvida em restos de tecido de placenta, a bebê tinha sido deixada enrolada em um pano num ponto crônico de lixo no Vergel do Lago. O resgate veio quando um casal passava próximo ao local na madrugada de hoje e acionou a polícia. A recém-nascida chegou a ser levada ao Hospital Geral Santo Antônio, localizado no bairro Cambona, onde foi reanimada e intubada. Na unidade, foi constatado que a criança era prematura e tinha aproximadamente 28 semanas. 

"Ontem por volta de 1h da manhã, eu estava de plantão e recebi o chamado através do pessoal de serviço social da maternidade Santo Antônio. Eles ligaram para fazer a denúncia: 'Olha, recebemos aqui na maternidade um bebê com cordão umbilical, com placenta, com tudo, trazido por um casal. Esse casal, inclusive, já está sendo orientado a fazer o BO'. Perguntei como estava a situação da criança. 'Já foi encaminhado, os médicos já estão fazendo os procedimentos para salvar a vida do bebê'. Comuniquei ao pessoal do serviço social que hoje, por volta das 8h da manhã, iríamos tomar as providências de questão de registro, fazer a notícia de fato ao Ministério Público e comunicar à Delegacia de Crimes Contra Crianças e Adolescentes, porque foi um abandono de incapaz. Estávamos providenciando tudo, mas infelizmente recebemos a notícia de que o bebê entrou em óbito", contou Valmenea Santos. 

A situação agora deverá ser assumida pela Polícia Civil, que vai investigar o caso.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Dia de Cooperar 2026 acontece neste sábado em Maceió com serviços gratuitos Feira de empreendedorismo reúne mulheres atendidas em projeto social no Vera Arruda Maceió realiza hoje procissão de Nossa Senhora dos Prazeres; trânsito é alterado Confira o funcionamento de feiras e mercados públicos no feriado