Música instrumental é trilha perfeita para manter concentração no trabalho

Publicado em 25/02/2019, às 23h09
O publicitário Kelvin Alves, 23, na agência F.biz, zona oeste de SP. | Bruno Santos/Folhapress -

Folhapress

Ouvir música no trabalho tem impacto positivo na produtividade, de acordo com 78% dos entrevistados de um levantamento da Cloud Cover Music, empresa americana de streaming.

LEIA TAMBÉM

Se o efeito benéfico é quase consenso entre os trabalhadores ouvidos e neurocientistas, a questão de quais tipos de música ajudam ou atrapalham não tem resposta única.

Mas, afinal, há um estilo ideal para ouvir no trabalho?

Especialistas afirmam que a música instrumental -dos mais variados tipos, do jazz ao chorinho, passando pela clássica- é uma boa candidata.

De acordo com Luciano Melo, médico neurologista e colunista da Folha, pesquisas indicam que "as trilhas instrumentais, especialmente as mais calmas, tendem a reforçar a atenção das pessoas".

"Já faixas com vocal tendem a aumentar a introspecção e podem ser distrativas", diz.

Isso acontece por causa do conteúdo verbal. "Há uma competição pela atenção", afirma Patrícia Vanzella, coordenadora do projeto Neurociência e Música na UFABC (Universidade Federal do ABC).

Mas, quando o foco é ganho de produtividade, há características a evitar mesmo na música instrumental. Muitas flutuações de intensidade, por exemplo, também podem distrair. O mesmo vale para ritmos agitados, que estimulam a parte motora, da dança.

Assistente de estratégia e insights da agência F.biz, o publicitário Kelvin Alves, 23, segue mais ou menos essa cartilha.

Quando está a caminho do trabalho, na zona oeste de São Paulo, escuta rap ou R&B, gêneros centrados em vocais.

No escritório, a trilha passa a ser o lofi hip-hop (subgênero instrumental, marcado por batidas desaceleradas e alguma influência de jazz).

Isso quando Kelvin analisa relatórios ou planilhas -o departamento dele junta o estudo do consumidor com a ciência dos dados. "Esse estilo me deixa mais tranquilo para entender o que estou lendo. Já tentei trabalhar ouvindo outros gêneros, mas, às vezes, muitas vozes acabam me desconcentrando", afirma.

Quando o publicitário produz relatórios, a playlist muda mais uma vez. "Coloco para tocar um rap mais vocal, que me dá um pouco mais de ritmo, de adrenalina."

A estratégia adotada por Kelvin pode, muito provavelmente, não funcionar para outras pessoas, de acordo com os especialistas ouvidos pela reportagem. Por isso mesmo, a música instrumental é só "candidata" a ajudar no ganho de produtividade.

A falibilidade de uma ou outra receita poderia ser justificada, de maneira simples, pelas particularidades do gosto individual -traços de personalidade, idade e natureza da tarefa também precisam ser levados em conta.

Em musicoterapia, há o conceito de identidade sonora individual. "Todos nós, assim como temos uma história clínica, temos uma história sonora", explica Juliana Duarte Carvalho, musicista, psicóloga clínica e musicoterapeuta do Hospital Sírio-Libanês.

Essa bagagem contém, entre outros, fatores culturais e "vai se formando ao longo da vida, nunca se completa".

Levando em conta esse último aspecto e o fato de que, hoje, as pessoas são expostas ao hit do momento em diversos lugares e meios, Juliana diz que é saudável procurar conhecer músicas novas, que podem ser eficientes no ambiente de trabalho, mas não só.

"Assim como um bom livro, elas podem te influenciar e promover mudanças."

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Onde os cães devem dormir no frio? Especialistas alertam para erros comuns Ritual simples com ervas vira aposta de quem quer atrair um novo amor Sopas proteicas: 5 receitas nutritivas e deliciosas para o almoço Conheça o bolo-pudim, a sobremesa que está tomando o lugar do morango do amor