Nosso cominho sagrado

Publicado em 18/07/2016, às 10h40
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Redação

No fogão de barro da minha vó Domitila, no sitio de Mangabeiras, eu recordo de minha mãe e minhas tias fazendo o ritual de pisar o cominho com semente de pimenta no pilão, depois elas acrescentavam o alho para temperar carnes, feijões e sopas. Minha mãe, dona Nia, dizia: “cominho é tempero de carnes, nunca use em camarões e peixadas”. Já minha Tia Neta, que fazia o melhor filé e feijão da família, alertava: “use pouco cominho”. E, assim, sigo a orientação das minhas mestras.

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Beatriz, há 38 anos no Mercado da Produção vende temperos, como o cominho

O cominho, uma especiaria muito apreciada na Índia, na cozinha nordestina é tempero sagrado nas panelas. Nas minhas andanças pelos botecos e restaurantes de gastronomia popular, descobri que muitos adicionam mais especiarias ao cominho, além da pimenta do reino. E no Mercado da Produção eu conheci a alagoana Beatriz Peixoto, que faz o tempero baiano de acordo o gosto do cliente.

O nome tempero baiano, Beatriz não sabe explicar a origem. Mas é mestra em fazer essa especiaria, e sempre pergunta: “Você quer cominho com pimenta do reino pouco ou muito?” E a partir daí, mistura sementes de coentro, alecrim, salsa, folha de ouro, orégano. É assim que alagoana, que trabalha no Mercado da Produção há 38 anos, prepara o tempero baiano com todos os ingredientes.

Beatriz e a máquina de moer tempero, uma relíquia

Faça sol ou chuva, Beatriz está lá das 6h até às 13h. Ela começou com 13 anos e atualmente, aos 65 anos, tem saúde pra dá e vender. Interessante é o moedor das especiarias, que parece mais um cofre (antigo) de banco, que a acompanha desde o começo. Quando vou ao mercado compro o tempero baiano, ele é mais aromático e suave para temperar sopas, feijões e carne guisada. Lembrando minha Tia Neta, o segredo é não exagerar na dose.

Cominho com pimenta do reino, o tempero tradicional do Nordeste

Rota Cominho

Preço do tempero baiano – R$ 3,00 (100 gramas)

Barraca 14 ala B – Telefone: 98861.8304

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