Nova espécie descoberta na Austrália, inseto ‘assassino’ atrai formigas com secreção química antes do ataque

Publicado em 11/05/2026, às 22h36
- Foto: Reprodução/Nick Volpe/Reprodução ABC.NET

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Um novo inseto, descoberto no norte da Austrália, está intrigando cientistas por combinar uma estratégia de caça com pistas inéditas sobre a evolução de predadores especializados em formigas. Batizada de Ptilocnemus larrakia, a espécie pertence ao grupo dos chamados “percevejos assassinos”: insetos conhecidos por atacar outras espécies usando emboscadas, toxinas e adaptações anatômicas raras.

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O animal foi encontrado por acaso no Parque Nacional Charles Darwin, a cerca de 10 quilômetros do centro de Darwin, no Território do Norte australiano. A descoberta foi detalhada em estudo publicado na revista científica Journal of Insect Habitat and Systematics, além de reportagem da emissora australiana ABC News.

O nome do inseto homenageia o povo indígena Larrakia, guardião da região onde a espécie foi localizada. De acordo com o ecologista britânico Daniel Bardey, responsável pela descoberta, o encontro ocorreu após semanas de buscas frustradas por insetos semelhantes durante expedições noturnas no norte australiano.
 

“Quando despejei o último monte de folhas do dia, esse novo inseto apareceu — as perninhas dele se levantaram e eu fiquei sem reação”, disse Bardey à ABC News. “Na hora eu pensei: isso é uma espécie nova”.
 
O inseto chama atenção pelas pernas traseiras cobertas por estruturas semelhantes a pelos, uma característica considerada rara dentro do gênero Ptilocnemus. Embora os cientistas ainda investiguem a função exata dessas estruturas, há indícios de que elas funcionem como proteção contra mordidas de formigas, justamente, a principal presa do animal.

No entanto, o aspecto mais impressionante está no modo como o predador captura suas vítimas. Conforme informou o naturalista australiano Nick Volpe, o inseto possui um órgão especializado capaz de liberar substâncias químicas que atraem formigas.


“Eles têm um órgão muito interessante que libera uma secreção que atrai as formigas”, afirmou Volpe à ABC News. “As formigas são enganadas, chegam mais perto, e o inseto ataca perfurando a parte de trás do pescoço da presa antes de sugá-la ainda viva”.

Estrutura rara

Além do comportamento predatório, a descoberta também chamou atenção dos cientistas após a identificação de uma estrutura glandular conhecida como tricoma, considerada essencial na interação do inseto com as formigas durante a caça.

O resumo científico do estudo aponta que a maioria das espécies adultas da subfamília Holoptilinae possui esse sistema glandular especializado. No entanto, até agora, acreditava-se que as ninfas do gênero Ptilocnemus não apresentassem essa característica. A nova espécie australiana mudou essa ideia. Os pesquisadores identificaram, pela primeira vez, a presença do tricoma também nas fases jovens do inseto, sobretudo, nos estágios mais avançados de desenvolvimento.

Segundo os autores, isso pode indicar que Ptilocnemus larrakia represente uma linhagem evolutiva mais antiga dentro do gênero.

Os cientistas sugerem que a presença do tricoma nas ninfas pode ser uma característica ancestral preservada nessa espécie, enquanto outras linhagens australianas teriam perdido essa adaptação. A árvore evolutiva completa do grupo ainda não está totalmente resolvida. Porém, já é possível afirmar que a descoberta ajuda pesquisadores a entender como esses insetos predadores se diversificaram ao longo do tempo e desenvolveram estratégias químicas altamente especializadas para capturar presas.

Identificação

Apesar de ser considerado extremamente discreto e difícil de localizar, o novo percevejo já foi encontrado em pelo menos três áreas diferentes do Território do Norte australiano desde sua descoberta inicial.

“São animais extremamente raros e criptográficos”, afirmou Bardey. “O inseto aparece quando quer aparecer”.

O espécime utilizado na pesquisa está atualmente no Museu de História Natural da Universidade de Oxford, no Reino Unido, mas deverá retornar futuramente à Austrália para integrar o acervo do Museu e Galeria de Arte do Território do Norte.

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