Operação da PF investiga sobrepreço na obra do Canal do Sertão em Alagoas

Publicado em 30/11/2017, às 07h12

Redação

Uma operação da Polícia Federal (PF), realizada desde o começo da manhã desta quinta-feira (30), cumpre 11 mandados de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara Federal de Alagoas, em Maceió, na área metropolitana da Capital, além das cidades de Salvador/BA, Limeira/SP e Brasília/DF.

LEIA TAMBÉM

Em Maceió, há equipes da PF no prédio do ex-governador Teotonio Vilela, na Avenida Álvaro Otacílio, orla do bairro de Ponta Verde.

A ação tem objetivo de complementar provas colhidas em inquérito policial instaurado com a finalidade de apurar a suposta prática dos crimes de fraude a licitação, desvio de verbas públicas (peculato), corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, todos relacionados à obra do Canal do Sertão alagoano, mais especificamente os lotes números 3 e 4, ambos licitados pelo Governo do Estado de Alagoas (Secretaria de Infraestrutura) na gestão anterior, ilícitos estes ocorridos entre 2009 e 2014.

O Supremo Tribunal Federal autorizou a Polícia Federal a utilizar provas decorrentes de colaborações premiadas de pessoas relacionadas à Construtora Norberto Odebrecht no aludido procedimento investigativo. A elas se somaram relatórios do Tribunal de Contas da União, constatando preço muito alto em contrato firmado entre o Governo de Alagoas a referida empresa no montante de R$ 33,9 milhões.

Também restou apurado na investigação a existência de acordo de divisão de lotes da obra com a Construtora OAS.

Dentre os investigados encontram-se além do ex-governador, o secretário de Infraestrutura do Estado de Alagoas à época dos fatos, além de outros indivíduos ligados às citadas empresas e órgãos públicos.

Todo o material arrecadado será encaminhado à Superintendência da PF em Alagoas, onde será analisado. A soma das penas máximas atribuídas aos delitos citados pode chegar a 46 anos de prisão.

A partir das 10 horas da manhã de hoje uma entrevista coletiva, que será realizada na sede da Superintendência da Polícia Federal, no bairro de Jaraguá, deverá esclarecer o caso. A assessoria de comunicação da PF confirmou a participação de membros do Ministério Público Federal na coletiva.

A operação, intitulada de "Caríbdes", faz referência a uma criatura da mitologia grega, responsável pela proteção dos limites territoriais no mar. Em outra tradição, seria um turbilhão criado por Poseidon.

A defesa

Em nota, o ex-governador Teotonio Vilela Filho afirmou que não praticou nenhum crime e que a verdade será restabelecida.

O ex-chefe do Estado de Alagoas disse ainda que se assegura em ser o maior interessado para a elucidação das investigações e que continuará à disposição das autoridades policiais.

Confira abaixo a nota na íntegra:

O ex-governador Teotonio Vilela Filho tem consciência de que não praticou nenhum crime e que a verdade será restabelecida.

Em coerência com a sua história de vida pessoal e política, o ex-governador assegura ser o maior interessado na elucidação dessas investigações e que continuará à disposição das autoridades, contribuindo no que for preciso.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Polícia Federal cumpre mandados contra grupo suspeito de fraudar pensões em cinco municípios alagoanos Assassino se passou por policial para ter acesso à casa dos pais de jovem em Arapiraca O que se sabe sobre o assassinato de dançarino um dia após festa no Sertão alagoano PF mira grupo suspeito de desviar encomendas postais