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Pesquisa indica "A mulher mais poderosa do Brasil"

Publicado em 09/07/2026, às 17h50

Flávio Gomes de Barros

O racha na família Bolsonaro é o assunto político dos últimos dias, pelo impacto que está ausando na corrida pela sucessão presidencial.

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Esse desconforto ficou mais evidente quando a ex-primeira dama Michele divulgou um vídeo com críticas ao enteado Flávio, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai, para ser o candidato de oposição ao presidente Lula (PT).

A situação se agravou quando Michele Bolsonaro entregou o comando do PL Mulher e ameaçou desistir da disputa ao Senado pelo Distrito Federal, na qual ela desponta como favorita.

Nem assim ela perdeu seu protagonismo, como demonstra o jornalista Rodolfo Borges:

 

"Michelle Bolsonaro está no imaginário popular brasileiro.

A ex-primeira-dama, que gosta de se expor cuidando do marido, detido em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, é tida como 'a mulher que tem mais poder hoje no Brasil' para 15,4% dos eleitores, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira, 8.

Não é pouca coisa, porque a pesquisa foi espontânea, ou seja, não foram apresentados nomes para os 1.500 eleitores ouvidos de 3 a 6 de julho. Os consultados disseram o nome que lhes veio à cabeça.

'Não é trivial ser apontada espontaneamente por 15,4% do eleitorado como a mulher mais poderosa do Brasil. Um sinal forte do seu peso político', constatou Mauricio Moura, fundador do Ideia.

Na sequência de Michelle, aparece Janja Lula da Silva, mencionada por 9%. Talvez a atual primeira-dama fosse o nome mais óbvio a ser mencionado, por morar hoje no Palácio da Alvorada, e o fato de aparecer atrás de Michelle reforça a relevância política da mulher de Bolsonaro.

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia foi mencionada por 4,5%, seguida pela ex-presidente Dilma Rousseff (2,5%), pela ex-ministra Simone Tebet (2%), a deputada federal trans Erika Hilton (1,7%), a cantora Anitta (1,5%), a ex-ministra Marina Silva (1,5%), a influenciadora Virginia Fonseca (1,5%) e Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil (1,2%).

Outros 43,5% não souberam responder à pergunta, e 5,5% disseram 'nenhuma'.

A pesquisa também questionou sobre o vídeo de desabafo de Michelle, que deflagrou uma nova crise na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e acabou resultando na saída da ex-primeira dama do comando do PL Mulher e pondo em questão sua candidatura ao Senado.

Para 29% dos consultados, as afirmações de Michelle no vídeo, no qual ela se disse humilhada por Flávio ao tentar influir nas alianças no Ceará, são 'totalmente verdadeiras'. Para 35%, são 'mais verdadeiras do que falsas', num total de 64% de avaliação positiva para ela.

Apenas 0,3% disseram que as afirmações são 'totalmente falsas', e 29%, que são 'mais falsas que verdadeiras', num total de 29,3%.

Para 23,4%, a divulgação do vídeo “'umentou a confiança em Michelle'. Outros 17,3% dizem que diminuiu, e 44,4% acham que não aumentou nem diminuiu.

Michelle foi testada contra Lula numa possível disputa presidencial. Ela oscilou quatro pontos para baixo desde maio, de 40% para 36%, numa simulação de segundo turno contra o petista, que oscilou apenas um ponto para baixo no mesmo período e aparece com 45%.

A ex-primeira-dama aparece à frente de Lula entre os homens (42,1% contra 39,3%), mas atrás entre as mulheres (50,3% contra 30,4%).

Ela marca 47,6% nos eleitores mais jovens, de 16 a 24 anos, contra 34,3% de Lula, e se destaca também nas regiões Norte (48,4% contra 32,8%) e Sul (53,2% contra 17,7%).

Mas sua maior distância para Lula é entre os evangélicos: 63,3% a 17,7%.

Os eleitores também foram consultados sobre a afirmação do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que disse que as mulheres votam mal. Eles foram questionados se concordam com a afirmação de que 'mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras'.

A maior parte (44%) disse discordar, e 16,6% discordaram totalmente, num total de 60,6%. Apenas 4,3% concordam totalmente e 7,3%, parcialmente, num total de 11,6%. Outros 7,7% não concordam nem discordam.

O recorte de gênero deixa mais claro o potencial destrutivo da afirmação de Figueiredo para a pré-campanha de Flávio: nenhum mulher concordou, nem total nem parcialmente, enquanto 9% dos homens concordaram totalmente e 15,1%, parcialmente.

A pesquisa apenas endossa o erro cometido pela família Bolsonaro ao descartar Michelle politicamente, principalmente num momento em que Flávio tenta melhorar seus índices no eleitorado feminino."

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