Nathalia Durval/Folhapress
Passar protetor solar no rosto já entrou na rotina de muitos brasileiros. Mas, para pessoas carecas ou com calvície é importante estender esse cuidado para outras partes da cabeça.
A incidência do sol no couro cabeludo é direta, e a região da cabeça, das orelhas e da nuca fica mais exposta, explica Carlos Barcaui, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
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A proteção dessa área costuma ser negligenciada, sobretudo pelos homens. Por isso, é tão frequente ver casos de câncer de pele, o mais comum no Brasil, diz o presidente da SBD. Um dos tipos é o carcinoma basocelular, o mesmo que teve o presidente Lula (PT), que passou por uma cirurgia no couro cabeludo para removê-lo, no mês passado.
A maioria dos casos decorre da radiação ultravioleta, que tem um efeito cumulativo ao longo da vida, explica Flégon David, dermatologista membro da SBD. "A pessoa se surpreende e diz que nem gosta de tomar sol, mas só de sair na rua e caminhar pequenas distâncias e você estará se expondo", diz ele.
O cabelo funciona como uma proteção natural contra os raios UV. Por isso, o protetor deve ser espalhado nas áreas descobertas, incluindo as entradas e a coroa, no caso de pessoas calvas. A nuca e as orelhas também merecem atenção, regiões mais propensas ao câncer de pele, segundo David.
Segundo os dermatologistas, tem que usar o protetor solar todos os dias, mesmo naqueles nublados, e sempre uma camada generosa. "Filtro solar foi feito para ser aplicado em quantidades generosas, não adianta passar camada fininha", diz David. Esse hábito pode ser adotado a partir dos dois anos, ele completa.
Barcaui recomenda dar preferência a produtos de textura mais fluida, como em spray ou loção, para que o filtro chegue até o couro cabeludo. A eficácia do corpo e a do rosto será a mesma, mas David indica o de rosto, pois outros podem ter aspecto de brilho e o cheiro característico de praia. O fator deve ser de 30 para cima, e a partir de 50 em pessoas de pele mais clara.
O filtro deve ser aplicado de 15 a 30 minutos antes de sair de casa, para ser absorvido e atuar de maneira eficaz. É importante reaplicá-lo. O retoque pode ser feito a cada duas horas ou até duas vezes por dia, dependendo do clima e se a pessoa suou ou entrou na água.
A proteção do couro cabeludo não é feita só com protetor e inclui também chapéus e bonés, que bloqueiam a radiação solar. O ideal, dizem os médicos, é uma combinação das duas formas.
O boné tem a vantagem de fazer sombra no rosto. Já em momentos de maior exposição, o chapéu é o ideal, pois também protege a nuca e as orelhas, afirmam os dermatologistas. Ainda assim, o filtro precisa ser aplicado mesmo nas áreas sob a sombra.
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