A decisão de ser mãe tem sido cada vez mais planejada e, muitas vezes, adiada, acompanhando mudanças no estilo de vida e a maior presença feminina no mercado de trabalho, mas do ponto de vista biológico o tempo continua sendo um fator determinante para a fertilidade feminina. De acordo com a ginecologista especialista em reprodução humana Amanda Vigó, não existe uma idade limite fixa que se aplique a todas as mulheres, porém a ciência mostra de forma consistente que a fertilidade diminui com o passar dos anos, sendo que essa queda começa por volta dos 30 anos, se acentua após os 35 e se torna mais significativa depois dos 40. Segundo a especialista, esse processo ocorre tanto pela redução da quantidade de óvulos quanto pela diminuição da qualidade deles, o que também aumenta o risco de alterações genéticas e complicações durante a gestação, e apesar de existirem variações individuais, elas não anulam essa tendência biológica, indicando que mais do que um limite rígido existe uma janela de maior probabilidade e segurança para engravidar.
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Além da idade, diversos fatores podem impactar a fertilidade feminina, como alterações hormonais, incluindo a síndrome dos ovários policísticos e distúrbios da tireoide, condições ginecológicas como endometriose, miomas e problemas nas trompas, além de fatores relacionados ao estilo de vida, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, estresse, obesidade ou baixo peso, e também fatores genéticos, como a menopausa precoce. A identificação precoce dessas condições pode ser feita por meio do acompanhamento ginecológico de rotina aliado a exames específicos, como a dosagem do hormônio antimülleriano, a ultrassonografia para contagem de folículos ovarianos e avaliações hormonais, o que reforça a importância de que a mulher realize seu planejamento reprodutivo com um especialista por volta dos 30 anos para compreender melhor sua fertilidade e tomar decisões mais seguras sobre o futuro.
Mesmo sem sinais evidentes, a fertilidade pode estar comprometida, embora alguns indícios possam servir de alerta, como ciclos menstruais irregulares ou ausentes, cólicas intensas, histórico de abortos ou dificuldade para engravidar após um período de tentativas, sendo recomendado buscar ajuda médica após um ano de tentativas para mulheres com menos de 35 anos ou seis meses para aquelas com 35 anos ou mais, mas a avaliação preventiva continua sendo essencial, especialmente para quem deseja adiar a maternidade.
Com os avanços da medicina reprodutiva, mulheres que optam por postergar a gravidez contam hoje com alternativas como o congelamento de óvulos, que apresenta melhores resultados quando realizado antes dos 35 anos, fase em que a qualidade dos óvulos é mais elevada, embora não exista uma idade limite para realizar o procedimento, sendo possível em fases mais avançadas com a necessidade, em alguns casos, de congelar um número maior de óvulos para aumentar as chances de sucesso, destacando que o congelamento não garante uma gestação futura, mas amplia significativamente as possibilidades em comparação com a tentativa natural em idades mais avançadas.
“Nesse cenário, conciliar carreira e maternidade se torna cada vez mais possível, desde que haja planejamento e acesso à informação, e a medicina do bem-estar contribui ao reforçar a importância de hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, sono adequado e prática de atividade física, fatores que influenciam diretamente a saúde reprodutiva, permitindo que, com acompanhamento especializado e estratégias personalizadas, a mulher alinhe seus objetivos profissionais e pessoais de forma mais segura, entendendo suas limitações biológicas e fazendo escolhas conscientes ao longo da vida”, destaca a especialista, que conclui: “Hoje a mulher não precisa mais escolher entre o sonho profissional e o sonho da maternidade, ela pode ter os dois, desde que se planeje”.
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