A inflamação silenciosa, um estado inflamatório de baixo grau, pode ser a razão pela qual muitas pessoas não conseguem emagrecer, mesmo seguindo dietas e praticando exercícios. Esse processo afeta o metabolismo e a regulação hormonal, dificultando a perda de peso.
Fatores como alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo e estresse crônico contribuem para essa inflamação, que pode ser exacerbada por intolerâncias alimentares, como a lactose. Sintomas como cansaço, inchaço e ganho de peso são frequentemente atribuídos a outras causas, tornando a identificação do problema mais difícil.
Exames laboratoriais podem detectar a inflamação silenciosa, e ajustes no estilo de vida, como uma dieta equilibrada e controle do estresse, são essenciais para revertê-la. A avaliação individualizada é fundamental para entender as causas subjacentes da dificuldade em emagrecer, segundo a médica nutróloga Eline Soriano.
Seguir uma alimentação balanceada, manter regularidade na prática de atividade física e, ainda assim, não observar mudanças no peso ou na composição corporal é uma realidade cada vez mais comum. Por trás dessa dificuldade, um fator pouco percebido pode estar em ação: a inflamação silenciosa, um processo contínuo no organismo que interfere diretamente no metabolismo e compromete os resultados.
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A chamada inflamação de baixo grau ocorre quando o sistema imunológico permanece ativado de forma constante, mesmo na ausência de infecções ou doenças agudas. Esse estado inflamatório não provoca sintomas evidentes, como dor ou febre, o que dificulta sua identificação no dia a dia. Ainda assim, seus efeitos podem ser significativos, especialmente quando o objetivo é o emagrecimento.
De acordo com a médica nutróloga Eline Soriano, esse tipo de inflamação impacta funções essenciais do organismo. “Mesmo quando há esforço com dieta e exercício, o corpo pode não responder como esperado. Isso acontece porque o estado inflamatório interfere na regulação hormonal, na sensibilidade à insulina e no metabolismo como um todo”, explica.
Entre os sinais mais comuns, embora inespecíficos, estão cansaço persistente, sensação de inchaço, retenção de líquidos, dificuldade de concentração e até ganho de peso sem mudanças significativas na rotina. Esses sintomas costumam ser atribuídos ao estresse ou à correria do dia a dia, o que contribui para que o quadro permaneça sem investigação.
A inflamação silenciosa também está associada a alterações metabólicas importantes, como resistência à insulina e acúmulo de gordura abdominal. Esses fatores tornam o processo de emagrecimento mais lento e, em alguns casos, dificultam a evolução mesmo com estratégias consideradas adequadas.
Diversos aspectos do estilo de vida moderno contribuem para esse cenário. Alimentação rica em produtos ultraprocessados, consumo elevado de açúcar, sedentarismo, noites mal dormidas e estresse crônico estão entre os principais gatilhos. Além disso, intolerâncias alimentares também podem exercer um papel relevante.
Segundo a especialista, quadros como a intolerância à lactose podem manter o organismo em estado inflamatório constante. “Quando há consumo frequente de alimentos que o corpo não tolera bem, como leite e derivados, pode ocorrer uma resposta inflamatória contínua. Muitas vezes, isso se manifesta com sintomas digestivos, mas também pode impactar o metabolismo e dificultar o emagrecimento”, afirma.
Apesar de silenciosa, a inflamação pode ser identificada por meio de exames laboratoriais. Marcadores como proteína C-reativa, ferritina, velocidade de hemossedimentação e alterações em glicemia e insulina ajudam a indicar esse desequilíbrio. Mesmo mudanças discretas nesses indicadores já merecem atenção, principalmente quando associadas a sintomas ou dificuldade de resposta do organismo.
O avanço de doenças crônicas reforça a relevância do tema. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que condições como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares estão entre os principais desafios de saúde pública e têm forte relação com hábitos de vida e processos inflamatórios persistentes.
A boa notícia é que esse quadro pode ser revertido com ajustes consistentes no estilo de vida. A adoção de uma alimentação baseada em alimentos naturais, a prática regular de atividade física, o sono adequado e o controle do estresse são medidas fundamentais para reduzir a inflamação e restabelecer o equilíbrio do organismo.
Mais do que apostar em dietas restritivas, a avaliação individualizada é essencial para identificar fatores que possam estar impedindo o progresso. “O emagrecimento não depende apenas de reduzir calorias. É necessário entender como o organismo está funcionando e tratar as causas que estão por trás da dificuldade de evolução”, conclui Eline Soriano.
Sobre a especialista - A médica nutróloga Eline Soriano é formada pela Universidade de Pernambuco (UPE) e possui título de especialista pela Associação Brasileira de Nutrologia. Com atuação consolidada na área, já integrou a diretoria da entidade e atualmente participa da coordenação e direção do departamento responsável pela prova de título de especialista em Nutrologia.
Com mais de 20 anos de experiência, tem atuação voltada ao emagrecimento, promoção do bem-estar e atende em seu consultório localizado na Rua Dr. José Afonso de Melo, 118, sala 305, no Harmony Trade Center, no bairro de Jatiúca, em Maceió. Mais informações em @draelinesoriano.
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